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Cinema brasileiro faz bonito na 69ª edição do Berlinale

Com 11 filmes exibidos durante o Festival, Brasil deixa boa impressão a respeito de sua produção cinematográfica

18 fev 2019
03h10
atualizado às 11h17
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Com 11 filmes distribuídos por diferentes seções da Berlinale, o Brasil fez bela figura, com filmes fortes, impactantes. De Marighella, de Wagner Moura, na competição, mas fora de concurso, a Espero Tua (Re)Volta, de Eliza Catai, que ganhou o prêmio da Anistia Internacional, a seleção contemplou temas, ou um tema, a violência do Estado brasileiro, dirigida preferencialmente contra jovens, negros, pobres.

O diretor e roteirista Wagner Moura e os atores Bella Camero, Seu Jorge e Bruno Gagliasso chegam para a exibição do filme "Marighella" no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlinale, em Berlim, Alemanha
O diretor e roteirista Wagner Moura e os atores Bella Camero, Seu Jorge e Bruno Gagliasso chegam para a exibição do filme "Marighella" no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlinale, em Berlim, Alemanha
Foto: Hannibal Hanschke / Reuters

São filmes que vão confrontar o Brasil com sua realidade social e política. E, quando não é a exclusão, é o sexo. A temática LGBT vem radical, num momento em que a homofobia é respaldada por manifestações oficiais. Greta, de Armando Praça, baseado na peça Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá, que teve problemas com a censura do regime militar, é um drama de recorte tradicional sobre a solidão urbana. Deve valer a Marco Nanini todos os prêmios de interpretação do ano por sua criação como esse gay desesperado por afeto, que se envolve com um jovem marginal e isso coloca em xeque tudo o que sonhou para sua vida, com base nos romances estrelados pela divina Garbo.

O caso de A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, é mais punk. Com base na busca pela ascendência do poeta alemão Novalis, um homem soropositivo busca um sentido para a sua vida. Se Deus está em toda parte, será provocação que ele o encontre no próprio ânus? A religião que ameaça se apropriar do Estado laico brasileiro é o tema de Gabriel Mascaro no distópico Divino Amor, que projeta no Brasil de 2027 a realidade atual das igrejas evangélicas cristãs.

 

Estadão

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