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Último dia de competição em Cannes tem Polanski e Jarmusch

25 mai 2013 13h46
| atualizado às 13h53
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Dois ícones da sétima arte, Roman Polanski e Jim Jarmusch, fecharam com maestria neste sábado a competição oficial do 66º Festival de Cannes, na véspera do anúncio da Palma de Ouro, que pode premiar o francês Abdellatif Kechiche ou os irmãos Coen.

A vida de Adèle, filme sobre uma paixão entre duas jovens mulheres, mexeu com o público em Cannes, que agora exige troféus para Kechiche e suas duas atrizes.

Um prêmio para esse trabalho certamente agitará a noite de domingo, enquanto manifestantes contra o casamento gay planejam uma nova mobilização em Paris, apesar da promulgação da lei que fez da França o 14º país do mundo a permitir uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Outro grande favorito, de acordo com os profissionais: Inside Llewyn Davis, dos irmãos americanos Joel e Ethan Coen, narra as adversidades de um cantor folk em Greenwich Village nos anos 60.

Mas a lista de candidatos é longa: A touch of sin, do chinês Zia Zhangke; La grande bellezza, do italiano Paolo Sorrentino; Like Father, Like Son, do japonês Hirokazu Kore-Eda; Nebraska, do americano Alexander Payne; e ainda Le Passé, do diretor iraniano Asghar Farhadi.

Para os atores, a lista é mais restrita, mas muitos sonham em ser recompensados duas vezes. A primeira dupla citada é Adèle Exarchopoulos, revelação do festival, e Léa Seydoux, duas atrizes que transcenderam seus papéis em A vida de Adèle, de Kechiche.

E porque não, outro casal gay, Michael Douglas e Matt Damon, dois atores que costumam interpretar papéis viris, irreconhecíveis em Behind The Candelabra.

Outros atores podem surpreender: o italiano Tony Servillo, rei mundano em plena crise existencial em La grande Bellezza; o americano Oscar Isaac, ator e músico que interpreta Llewyn Davis; ou Bruce Dern, o avô obsessivo de Nebraska.

Entre as mulheres, as francesas chamaram a atenção na Croisette: Marion Cotillard, como uma imigrante polonesa no último filme de James Gray, e Berenice Béjo, em Le Passé.

Neste sábado, último dia de competição, Roman Polanski apresentou Venus in Furs, um encontro a portas fechadas em um teatro vazio entre Thomas, diretor de teatro (Mathieu Amalric), e Vanda, uma atriz (Emmanuelle Seigner) que se apresenta para tentar uma vaga em uma peça inspirada no romance de Leopold von Sacher-Masoch, que deu seu nome ao masoquismo.

No momento em que a audição começa, Vanda, vulgar e sem cérebro, muda de maneira irreconhecível para se encaixar perfeitamente no personagem sensual, lascivo e provocante da peça. Uma relação de dominação e submissão se instala, enquanto a peça e os personagens "da vida real" se misturam em uma curva vertiginosa.

O último filme em competição é assinado por um queridinho da Croisette, o elegante diretor americano Jim Jarmusch, que "nasceu" no Festival de Cannes em 1984, onde seu primeiro Stranger Than Paradise recebeu o Camera d'Or, prêmio para melhor primeira obra.

Em Only lovers left alive, o cineasta se diverte ao deturpar os códigos de filmes de gênero, neste caso, os personagens de filmes de vampiros.

Entre uma estética acelerada e uma trilha sonora incrível, o cineasta passeia seus heróis - interpretados por Tilda Swinton, um vampiro muito elegante, e Tom Hiddleston, versão impecável de um músico deprimido - por Detroit e Tânger, em uma parábola engraçada e cínica sobre o atual mundo humano e o sangue contaminado.

O festival prestará uma homenagem durante a noite para duas estrelas do cinema, a atriz Kim Novak, intérprete inesquecível de "Um corpo que cai", de Alfred Hitchcock, e o ator francês Alain Delon (Plein Soleil , O Leopardo, etc.)

Domingo, como de costume, o júri se reunirá na parte da manhã para deliberar. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá a partir das 19h00.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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