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Big Little Lies: Confira nossa crítica da estrelada minissérie da HBO

Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Zoë Kravitz e Laura Dern comandam uma produção focada na figura feminina.

3 abr 2017 - 01h30
(atualizado às 01h36)
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Elenco estrelado + HBO + Adaptação de um livro elogiado = A receita de Big Little Lies não poderia dar errado.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

A minissérie acompanha a amizade de três mães, cujos filhos pequenos estudam numa escola privilegiada em Monterey, na Califórnia. Madeline ( Reese Witherspoon) é passional e controladora, incomodada com a aproximação da filha mais velha com a nova família do ex-marido. Já Celeste ( Nicole Kidman) esconde um grande segredo por trás de seu casamento perfeito. Por fim, a mãe solteira Jane ( Shailene Woodley) acaba de se mudar para cidade, a fim de superar um passado sombrio.

O pontapé inicial da trama inspirada na obra homônima de Liane Moriarty (Pequenas Grandes Mentiras, no Brasil) é um assassinato ocorrido num evento de tal escola. Sem saber quem foi a vítima, o público vê uma série de flashbacks desde o início dessa amizade, revelando o que culminou nessa tragédia. Mas, antes de mais nada, é necessário apreciar como Big Little Lies vai além do mistério "Quem matou?"... Se trata de uma história sobre mulheres.

São elas quem conduzem o roteiro escrito por David E. Kelley ( Ally McBeal). Seus medos. Seus desejos. Seus erros. Aqui, os homens são meros coadjuvantes, enquanto essas mulheres imperfeitas movimentam uma trama cheia de assuntos polêmicos como bullying, traição, abuso sexual e violência. Mesmo ambientada numa realidade de uma minoria, tais escolhas ainda conseguem conectar com o público. Num momento de luta por representatividade, é revigorante ver uma produção de grande porte com personagens femininas tão complexas. 

Com algumas diferenças em comparação ao livro original, a adaptação de Jean-Marc Vallée ( Clube de Compras Dallas, Livre) começa em ritmo lento, o que pode incomodar certos espectadores, mas constrói  o suspense necessário. O diretor faz um bom trabalho em trazer uma história intrigante e viciante, com toques de mistério, drama e comédia cínica. Porém, peca no exagero de tomadas focadas nos belos cenários de Monterey, o que arrasta mais a trama.

Curiosamente, esse "defeito" de deixar todos os suspenses para o último episódio foi um risco que valeu a pena. O capítulo final da trama acabou conectando todas as perguntas, que perambularam pela cabeça dos espectadores durante sete semanas, de uma maneira orgânica e vibrante. Num toque poético certeiro, a escolha de retirar os diálogos no momento de climax preencheu trouxe uma sensação de urgência para tal cena. Bastou uma troca de olhares, flashes e um grito para arrepiar o público.

Apesar do papel essencial do silêncio na reta final, não é possível esquecer a caprichada trilha sonora de Big Lttle Lies. Além da já icônica canção de abertura, traz nomes como Elvis Presley, Rolling Stones, Alabama Shakes, Charles Bradley, Otis Redding e Fleetwood Mac. O próprio final teve sua cereja do bolo com uma versão de "You Can't Always Get What You Want". Fica aqui o espaço de um agradecimento especial para Chloe ( Darby Camp), pequena DJ que você respeita.

Líderando o elenco, Reese Witherspoon e Nicole Kidman surgem com grandes performances. A primeira parece ser a escolha perfeita para Madeline, uma espécie de Legalmente Loira com esteróides. Porém, ela consegue superar os preconceitos iniciais da estigma de "perua" e apresentar uma personagem que mistura drama e comédia, conquistando o público. Por favor, quem não quer convidar Reese para jantar depois do penúltimo episódio?

Já a australiana apresenta um dos melhores trabalhos de sua carreira, abordando um tema tão delicado como violência doméstica. Com apenas olhares, ela consegue retratar como uma mulher inteligente e bem-sucedida fica presa num relacionamento tão tóxico, a ponto de defender o marido e ter medo dele - tudo ao mesmo tempo. As cenas de Celeste com sua terapeuta devem garantir o nome de Kidman na próxima temporada de premiações.

Quem também rouba a cena é Laura Dern. Se, a primeiro momento, o público é coagido a odiar sua personagem, por conta da rivalidade com Madeline (e por ataques de histéria, diga-se de passagem!), sua interpretação traz um lado humano para Renata. Um pouco mais apagada que as colegas, Shailene Woodley também faz uma atuação satisfatória. E  Zoë Kravitz completa o elenco feminino trazendo muita simpatia e naturalidade na difícil tarefa de fazer a "nova esposa do seu ex" parecer ser alguém agradável. 

Como os homens ficam em segundo plano, Alexander Skarsgård é quem ganha bastante tempo na telinha com o violento e complexo Perry Wright. Em papeis menores, Adam Scott (principalmente no episódio final) e James Tupper também cumprem bem suas funções. A bela surpresa é o talentoso elenco infantil, já que é complicado trabalhar com tantas crianças no set de filmagens. Destaque para Iain Armitage e Darby Camp, os intérpretes de Ziggy e Chloe.

Sucesso de público e com boas chances nas premiações, Big Little Lies não tem previsão de ganhar uma nova temporada. Certas lacunas ficaram abertas, mas os sete episódios abordam todo o conteúdo do livro de Liane Moriarty. Isso sem falar nas agendas lotadas do elenco principal... Porém, ninguém reclamaria de ver o futuro das donas de casa desesperadas de Monterey, não é mesmo?

AdoroCinema
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