"São Jorge" vence concurso de fantasia gay em Salvador
- Donaldson Gomes
- Agência A Tarde
- Direto de Salvador
Quatro meses de trabalho numa estrutura que era quase um carroalegórico, feita apenas com materiais recicláveis, deram o título do13º Concurso de Fantasia Gay da Bahia a Joaquim Assis com "O Dragão, ocavaleiro e o cavalo". Com a lança numa mão, mantendo a pose de SãoJorge, o troféu na outra, o artista plástico resumiu o desfile: "É umagrande festa, mas precisa melhorar muito, mudar o conceito". O concursoocorre toda segunda-feira de Carnaval na Praça Municipal.
A mensagem da paz, da aceitação e da luta contra a aids dividiu oespaço este ano com o estímulo à reciclagem. CDs, embalagens de café ebala, além de garrafas pet deram brilho à festa. Do camarim improvisadono estacionamento do Palácio Thomé de Souza ao palco, não faltou glamourpara superar as falhas na organização. O Grupo Gay da Bahia (GGB),responsável pela festa, diz que a prefeitura, principal apoio deles,libera os recursos sempre muito em cima da hora. "Eles ajudam, mas é umaburocracia enorme", afirma Keila Simpson, coordenadora do concurso.
Para os participantes, o importante é que o desfile aconteça. ThallyttyProvolone Vogue, idade: mistério. "Pelo amor de Deus, eu tenho que dizerisso? Me sinto com 18 anos", disse. Ele diz que a única coisa queganhou até hoje foi experiência. "A vida precisa ser um divertimento.Quando estou trabalhando, as pessoas me chamam de 'Seu Eduardo'".
Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, é importante aproveitar omomento do carnaval para a descontração. "Aproveitamos o clima dedescontração para mostrar a veia artística do pessoal. É importantepara nós, mas é importante para a festa também", afirma.
O responsável por uma das apresentações mais sensuais da noite foiFernanda Carraro de Sampaio, diretamente de São Paulo. O nome não é dosmais chamativos, reconhece. "Bicha tem mania de escolher nome de remédio,eu optei por uma coisa mais sóbria. O Carraro do meu sobrenome é forte",diz. Para ele, o momento é extremamente importante para a classe. "É omelhor modo de nos socializarmos". A piadinha ficou para o fim daapresentação: "Fiquei muito feliz por ver o quanto o povo baiano éreceptivo".
Para o antropólogo Luiz Mott, criador do Grupo Gay da Bahia (GGB) há 30anos, é uma pena que a aceitação, a convivência harmoniosa entre osdiferentes, se dê apenas no Carnaval. "Se fosse em outra ocasião, achoque seriamos apedrejados" é o que ele acha que aconteceria,lamentavelmente embasado em argumentos plausíveis.
A Bahia é o Estado campeão em violência contra homossexuais. Em 2009, foram 25 assassinatos, de acordo com o GGB. "São duas mortes por mês", lamenta Mott.