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Moraes Moreira diz que Carnaval de Salvador é de "cartas marcadas"

Sem citar nomes, Moraes Moreira reclama de privilégios dado a alguns artistas no Carnaval de Salvador

12 fev 2013 - 17h34
(atualizado às 18h10)
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<p>Moraes Moreira é um dos principais nomes da axé music</p>
Moraes Moreira é um dos principais nomes da axé music
Foto: Walter de Carvalho / Divulgação

Moraes Moreira é verdadeiramente um dos pioneiros do Carnaval de rua de Salvador. Ele foi um dos que, ao lado de Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, integrou o grupo Novos Baianos 1975, e mais tarde se uniu a Dodô e Osmar em cima do trio elétrico, compondo e executando clássicos da folia de Momo, como Chame Gente e Balança o chão da praça.

Na noite da última segunda-feira (11), o músico voltou à Praça Castro Alves para uma impecável apresentação. Antes de subir ao palco, Moraes falou com exclusividade ao Terra e ressaltou sobre a importância da guitarra baiana na identidade do Carnaval e das "cartas marcadas" da folia na capital baiana.

Confira na íntegra a entrevista exclusiva com Moraes Moreira:

Terra - Qual é a participação da Guitarra Baiana, que está sendo tema do Carnaval 2013 e completando 17 anos, na sua carreira?

Moraes Moreira -

Eu me sinto como um divulgador da Guitarra Baiana. Em 1975, quando comecei a trabalhar com o Trio Elétrico Dodô & Osmar, eu fiz muitas músicas com os dois e compus diretamente nela. Eu tenho uma música que se chama

Guitarra Baiana

, e tenho uma nova, a

Guita Baiana

, que também fala da importância dela. Meu irmão, Armandinho, é meu parceiro em

Chame Gente

, e não tem como ela estar fora dos meus discos e das minhas músicas. Eu não só divulguei como dei valor a esse instrumento genuinamente baiano que fez a história musical da Bahia. Tenho que dizer que as minhas músicas feitas na guitarra baiana ficaram na memória do povo brasileiro e baiano.

<p>Moraes Moreira reclamou dos privilégios dado a alguns artitas na folia de Salvador</p>
Moraes Moreira reclamou dos privilégios dado a alguns artitas na folia de Salvador
Foto: Jailton Suzart e Max Haack / Agecom Salvador / Divulgação
Terra - Em uma entrevista ao Terra, Armandinho disse lamentar a falta de atenção de grande parte dos jovens músicos à guitarra baiana. Você concorda com isso? 

Moraes Moreira - Aqui na Bahia está tendo uma nova geração. Tem o Baiana System e muito mais gente. Tem mais gente chegando, estudando, apresentando o instrumento de novas maneiras. Acho que tem, sim, uma nova geração funcionando na Bahia.

Terra - Há três anos vocês retomou o encontro de trios da Praça Castro Alves. A ideia é viver os encontros brilhantes dos anos 80 ou não?

Moraes Moreira -

É um novo momento. É um encontro dos trios, mas que não precisa nem deve ser do mesmo jeito que era. Naquele tempo, só tinha três, quatro trios. Hoje tem uma imensidão. Então, estamos fazendo o encontro de outra maneira. Sou eu em um trio, Saulo (que se despede da Banda Eva neste Carnaval) no outro e Luiz Caldas no palco. Não cabem aqui tantos trios como era. O número é menor, mas a intensidade é a mesma.

Terra - O que você acha sobre a discussão de quem é o "pai da axé music"?

Moraes Moreira -

Eu não acho nada. Para mim, Luiz Caldas foi o cara que começou com isso, mas não quer dizer que ele é pai. Ele é o criador, foi o primeiro sucesso, foi pioneiro. Mas ele diz que aprendeu muito comigo, que sou o mestre dele, então sou muito feliz.

Terra - O termo axé music foi cunhado para falar de um estilo que envolvia essencialmente mistura de ritmos, instrumentos e influências. Falta um pouco de tudo isso no novo axé, que faz sucesso nas rádios e domina o Carnaval?

Moraes Moreira -

Eu acho que o axé já teve seu momento de glória e já está precisando ser renovado. O sertanejo já está aí tomando conta. A música está aí para as novas gerações, para quem quiser renovar e fazer. A característica da Bahia é a diversidade, mas tem ficado numa coisa só. E nesse ponto, a imprensa é muito culpada, porque fica em cima de uma coisa só.

<p>Moraes Moreira em ação durante o Carnaval de Salvador</p>
Moraes Moreira em ação durante o Carnaval de Salvador
Foto: Jailton Suzart e Max Haack / Agecom Salvador / Divulgação
Terra - No último sábado, seu trio passou pelo Expresso 2222, de Gilberto Gil, e você começava uma homenagem a ele quando foi convidado a avançar com o caminhão pelos fiscais de pista. O que aconteceu?

Moraes Moreira -

Eu vou deixar isso por conta da nova coordenação do carnaval, que precisa saber colocar umas pessoas mais sensíveis nessa história. Não pode botar brutamontes chamando a polícia para o trio passar. Eu estou cantando com Gilberto Gil, junto com Davi Moraes, meu filho, fazendo uma homenagem, e mandaram o trio seguir. Nós fazemos parte dessa história toda. E não teve jeito. Pedi ao fiscal, de cima do trio, dizendo que eu estava fazendo uma homenagem e não iria demorar, mas ele chamou a polícia para mandar o trio seguir. Essas pessoas não são capazes de desenvolver um pouco de sensibilidade em um momento sublime como era esse.

Terra - Você achou uma postura injusta?

Moraes Moreira -

Claro. Porque uns demoram mais, outros demoram menos e outros não podem demorar nada. Infelizmente, ainda existe muito privilégio na Bahia. Tem que ver essa história dos fiscais porque eles têm uma postura diferenciada com os trios independentes.

Terra - O presidente do Olodum, João Jorge, deu uma entrevista à Folha de S. Paulo, dizendo que o Carnaval de Salvador se tornou uma festa de uma pessoa só, se referindo à Ivete Sangalo. Você concorda?

Moraes Moreira -

É um Carnaval de cartas marcadas. Não é só uma, mas são no máximo três. Não preciso citar nomes. Você pode olhar o jornal, não sai nada do que fazemos. Só as cartas marcadas, as mesmas pessoas. João Jorge tem toda razão. A entrevista dele é genial, eu adorei. Apoio tudo que ele falou, não só sobre esse, mas sobre vários assuntos.

Terra - O Carnaval de Salvador está ficando "branco demais"?

Moraes Moreira -

Eu acho que não havia necessidade de criar um espaço para blocos afros. Eles deveriam conquistar seu espaço na avenida, e a organização do Carnaval tem que ver isso. Se está ficando branco demais, há uma administração em Salvador pra ver isso. Eles estão chegando e nunca será tarde para corrigir esse erro.

Terra - Como um músico que construiu a sua história na Bahia, o que você poderia citar hoje como boas referências.

Moraes Moreira -

Sinceramente falando, do que é novo mesmo, não estou conhecendo nada que me entusiasme. Dentro do axé, então, nem pensar. Não estou vendo novidade nenhuma. Novidade é o que está faltando no Carnaval da Bahia.

Preta Pretinha, por Moraes Moreira:

Fonte: Especial para Terra
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