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Cantora Manu Le Prince celebra os quatro elementos em show do novo álbum 'Terra Canta' em Paris

"Sou francesa, mas tenho o coração brasileiro", resume a cantora e compositora Manu Le Prince, que há mais de três décadas mantém uma relação profunda com o Brasil. Esse vínculo está no centro de "Terra Canta", seu novo álbum gravado entre Paris e o Rio de Janeiro, em que a artista aproxima jazz e música brasileira em um repertório que passa por nomes como Dorival Caymmi, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal e Marcos Valle.

6 out 2026 - 09h48
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Resumo
A cantora Manu Le Prince apresenta em Paris seu novo álbum, "Terra Canta", projeto inspirado nos quatro elementos que une jazz, música brasileira e canção francesa. Após turnê prévia no Brasil, onde tocou com grandes instrumentistas e reforçou sua admiração por Milton Nascimento, a artista sobe ao palco do Café de la Danse acompanhada por uma banda franco-brasileira. Elogiado pela crítica, o disco celebra a natureza e promove um intenso diálogo poético e cultural entre as duas nações.

Recém-chegada do Brasil, Manu Le Prince descreveu com entusiasmo a recepção ao novo repertório. A cantora realizou apresentações ao lado de músicos ligados a algumas das maiores referências da música instrumental brasileira, experiência que definiu como um privilégio.

"Foi realmente muito lindo, com uma turma de músicos muito especiais", contou. Entre eles estavam o baterista Márcio Bahia, colaborador histórico de Hermeto Pascoal, e o pianista Kiko Continentino, conhecido por sua proximidade artística com Milton Nascimento. "Foi um grande presente", resumiu a cantora.

Em entrevista à RFI, Manu destacou a importância de Milton Nascimento em sua aproximação com a música brasileira. Segundo ela, o primeiro contato com a obra do compositor mineiro foi determinante para a escolha de cantar em português.

"O Milton foi realmente a razão que me fez cantar música brasileira", afirmou. "Fiquei tão emocionada quando ouvi pela primeira vez que realmente me deu essa vontade de cantar música brasileira."

A admiração se reflete também em sua discografia recente. Em um álbum anterior, dedicado ao saxofonista americano Wayne Shorter, Manu gravou canções de Milton Nascimento, entre elas "Tarde" e "Vera Cruz", reafirmando o diálogo constante entre o jazz e a música popular brasileira em sua obra.

Os quatro elementos como fio condutor

Em "Terra Canta", a artista buscou reunir diferentes influências musicais e culturais a partir de um conceito inspirado nos elementos terra, água, fogo e ar. O projeto reúne composições brasileiras, standards do jazz e canções francesas em uma mesma narrativa poética.

"Eu quis fazer essa mistura de várias coisas diferentes", explicou. Segundo ela, os quatro elementos funcionam como um eixo que permite aproximar repertórios de distintas origens. "Foi uma maneira de reunir essas coisas diferentes, de países diferentes", disse.

O álbum inclui homenagens à natureza, referências à Amazônia e composições inéditas, como uma parceria com o músico Jorge Continentino, autor da música para a qual Manu escreveu a letra.

A descoberta de uma canção francesa pelo público brasileiro

Entre os momentos marcantes da passagem pelo Brasil, Manu destacou a reação do público a uma obra pouco conhecida fora da França: "Les Fourmis Rouges", do compositor e cantor Michel Jonasz.

A artista contou que a canção, apresentada durante os shows que antecederam o lançamento oficial do disco, despertou grande curiosidade entre os espectadores brasileiros. "Os brasileiros não conhecem, eles adoraram essa música quando nós fizemos lá", relatou.

As apresentações serviram como uma espécie de pré-lançamento do álbum, que chegou às plataformas e lojas no final de agosto, após concertos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O lançamento também recebeu elogios da imprensa especializada francesa. Em resenha publicada pelo portal Latins de Jazz, a jornalista Nicole Videmann descreveu "Terra Canta" como "uma viagem musical de rara intensidade poética" e destacou a criação de um "universo musical refinado e acolhedor, propício às emoções". A crítica ressaltou ainda a capacidade de Manu Le Prince de reunir jazz, música brasileira e canção francesa em uma obra concebida como uma ode à natureza.

Uma banda franco-brasileira para a turnê francesa

A nova turnê pela França reflete a mesma ponte cultural que marca o álbum. No concerto programado para o Café de la Danse, em Paris, no dia 8 de outubro, Manu estará cercada por músicos dos dois países.

Do lado brasileiro, participam o saxofonista Raul Mascarenhas e o baixista Acelino de Paula. A formação também inclui o filho da cantora, Gaël Le Prince Caetano, herdeiro de uma dupla identidade franco-brasileira. Gaël é filho do baterista paulista Tatá de Paula, músico já falecido e figura importante na trajetória pessoal e artística da cantora.

Entre os músicos franceses estão o contrabaixista Philippe Bussonnet e o baterista Arnaud Dolmen, um dos nomes mais premiados do jazz francês contemporâneo. Manu também anunciou participações especiais, entre elas a trompetista Stéphane Belmondo e o pianista Léo Montana.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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