Bianca Bottrel se consolida como um dos principais nomes do UGC no Brasil
A publicitária, que ainda trabalhava com carteira assinada em 2023, começou a mergulhar fundo na área e se tornou referência apenas três anos depois.
Quando falamos em mercado de trabalho no Brasil e o lugar que a mulher ocupa nesta esfera, ainda encontramos pontos delicados quanto a colocações, posições nas empresas e questões salariais. A inferioridade quanto ao público masculino diminuiu, mas ainda assim é gritante. No entanto, entre muitas trabalhadoras de sucesso neste país, uma em especial tem se destacado no mercado justamente ajudando várias outras a conquistarem mais espaço com uma nova profissão.
Trabalhadora de carteira assinada em 2023, Bianca Bottrel mudou a "história do jogo" para diversas mulheres no Brasil ao se tornar referência em uma área que começou a engatinhar no país há poucos anos, mas já ajuda muitas pessoas a viver financeiramente das estratégias de conteúdo digital de marca.
Você pode ainda não ter ouvido falar no UGC (User Generated Content, Conteúdo Gerado por Usuário, da tradução livre do inglês), mas a ferramenta que ainda era vista como tendência em 2023 passou a ser considerada, apenas três anos depois, infraestrutura indispensável de marketing no Brasil. E Bianca foi quem ajudou na vinda e aperfeiçoamento da ferramenta para criar nova profissão por aqui.
Formada em Publicidade e Propaganda, a publicitária, que ainda trabalhava com carteira assinada em 2023, começou a mergulhar fundo na área naquele ano e veio a se tornar referência apenas três anos depois.
Bianca começou a estudar o formato com um objetivo claro: ensinar os influenciadores que acompanhava. E, para ensinar, precisava testar na prática. "Eu comecei a testar só para poder ensinar. Mas fechei meu primeiro trabalho pago antes de influenciadores que eu gerenciava e que tinham milhares de seguidores. Ali eu entendi que o jogo era outro", diz a publicitária.
O primeiro trabalho foi permuta: gravou um vídeo e recebeu o produto. Depois passou a cobrar. R$ 50. Depois R$ 80. A escalada foi rápida o bastante para que, em pouco tempo, ela ganhasse mais gravando vídeos com o celular no próprio quarto do que no emprego formal.
Com os testes na prática, Bianca Bottrel começou a entender que a lógica do UGC estava cada vez mais evidente para ela mesma. Não precisava postar no próprio perfil. Não precisava ter muitos seguidores. Ainda assim, conseguia receber produtos e ser paga. "As marcas não querem o vídeo mais bonito. Querem o vídeo em que o cliente acredita. E ninguém acredita mais em produção milionária, acredita na opinião de alguém parecido com ele", conta ela.
A virada: de criadora a formadora
O ponto de inflexão veio quando a demanda passou a ser maior do que a capacidade de entrega. Marcas começaram a pedir indicação de novas criadoras, e não havia mão de obra formada no Brasil. Foi aí que Bianca estruturou uma metodologia para levar mulheres do zero ao primeiro contrato pago, hoje organizada no "Plano UGC em 21 dias", com etapas de posicionamento, produção e montagem de portfólio profissional para envio às marcas.
Bianca defende que o marketing de influência brasileiro está passando por uma separação de funções que já aconteceu em outros mercados: de um lado, o influenciador, que vende atenção; de outro, o criador de UGC, que vende produção audiovisual em escala. Segundo ela, a segunda função é a que cresce mais rápido porque resolve um problema operacional das marcas, a necessidade de dezenas de variações criativas por mês para alimentar tráfego pago, algo que produtora tradicional não entrega no custo nem na velocidade necessários.
O mercado migrou de alcance para performance. As marcas não querem mais o rosto famoso, querem o vídeo que converte. Isso inverte a lógica da influência digital e abre uma porta de entrada para quem nunca teve seguidores. É exatamente essa fenda que Bianca ocupou antes da maioria.
O impacto
O que dá densidade à história não é o faturamento dela, é o perfil de quem entra. Mães, universitárias, mulheres em dupla jornada, mulheres fora dos grandes centros. O UGC permite gravar na hora do almoço, editar enquanto o filho dorme e entregar à noite. Segundo a Serasa Experian (2025), a flexibilidade de horário lidera hoje as motivações do empreendedorismo feminino no Brasil, citada por 46% das mulheres, alta de 17 pontos percentuais frente a 2022.
Sobre Bianca Bottrel
Bianca Bottrel nasceu e construiu a carreira no interior de Minas Gerais. Publicitária, formada em Publicidade e Propaganda, ela é criadora de conteúdo UGC e uma das principais referências do segmento no Brasil. Chegou ao formato em 2023, a partir de conteúdo americano, quando o UGC ainda não havia desembarcado no país, não havia curso nem mercado estruturado aqui.
Atuava com influenciadores, ajudando criadores a conseguirem mais trabalhos com marcas, e passou a testar o formato para poder ensiná-lo. Já produziu conteúdo para marcas como Shopee, Payot e Eudora. Hoje atua também como educadora digital, com metodologia própria voltada à formação de novas criadoras, do zero ao primeiro contrato pago, sem necessidade de audiência prévia.
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