Vorcaro vira piada em comédia sobre escândalo bancário com Paulo Gorgulho, Sophia Abrahão e mais
Escrita por Juca de Oliveira, 'Caixa 2' está em cartaz em São Paulo até o final do mês
Centro de um dos maiores escândalos bancários da história do Brasil, Daniel Vorcaro não foi parar apenas no noticiário, mas também virou piada em cima dos palcos. Escrita há cerca de 30 anos pelo dramaturgo Juca de Oliveira — morto aos 91 anos em março — a comédia Caixa 2 conta a história de uma fraude financeira e conta com um elenco estrelado, formado por Paulo Gorgulho, Taumaturgo Ferreira, Cassio Scapin, Sophia Abrahão, Flávia Garrafa e Gabriel Vivan.
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"A gente tem muitas piadas referentes ao momento que a gente está vivendo, mas a coisa está se degringolando. É uma peça que foi escrita há três décadas e infelizmente continua atual. O texto foi atualizado, mas nem precisou atualizar tanto assim", diz Paulo Gorgulho em entrevista ao Terra.
Na trama, o ator interpreta um banqueiro que tenta desviar milhões de reais com a ajuda do assessor, interpretado por Taumaturgo, e da secretária e amante, vivida por Sophia Abrahão. Porém, o plano dá errado quando o dinheiro cai por engano na conta da dona de casa interpretada por Flávia Garrafa, casada com um gerente de banco, papel de Cassio Scapin, e mãe de um jovem estudante, interpretado por Gabriel.
"A Flávia e o Cassio são a referência do público porque são uma professora e um gerente de banco. Gente que rala para caraca, ganha salário baixo e vive sendo usurpada, traída e enganada. Quando eles se manifestam, as pessoas se reconhecem", completa Gorgulho.
No papel de uma das vilãs da história, Sophia comenta como o público cosegue enxergar a realidade do brasileiro no palco e se diverte com as piadas relacionadas a Vorcaro e ao Banco Master. "Sempre tive a impressão de desconexão quando faz uma piada com a atualidade. Quando vejo no palco, às vezes, penso: 'Ai, não precisava estar fazendo essa piada'. Mas é impressionante como o público reage bem", diz Sophia. "O público se identifica. O teatro é transformador e é catártico. Então, a gente acaba falando aqui em cima o que a maioria das pessoas gostaria de gritar aos brados na rua, é o que elas estão sentindo", completa Paulo.
Caixa 2 é uma peça de comédia que garante risadas do início ao fim e não é por ser uma história engraçada que deixa de falar sobre problemas do mundo atual. "Tenho falado que é para a gente rir da própria desgraça, pelo menos durante 1 hora e meia, porque na vida não dá para ficar rindo e achando graça de tudo o que está acontecendo", define Sophia
"O Juca de Oliveira atinge o objetivo dele. As pessoas dão risada, mas a gente não faz graça. Elas dão porque elas se identificam com o drama. Ele sempre dizia que o melhor jeito de fazer o público pensar era através do deboche e da comédia", define Taumaturgo.
Os atores dizem que a precisão de Juca de Oliveira foi perfeita. Por mais que a obra original falasse de outros escândalos da política e sociedade brasileira, o texto atualizado casou com o contexto atual. Infelizmente, o dramaturgo não pôde ver a montagem de 2026 da peça, pois morreu ainda durante os ensaios. "Juca era muito generoso. Ele, como ator, diretor e autor, fez o que tinha que fazer. Ele foi em paz e deixou a obra dele. Tenho certeza que ele está adorando que a gente esteja fazendo a obra dele", comenta Paulo.
Na visão do elenco, ter um banqueiro como vilão é algo com que o público pode se relacionar, não apenas pelos escândalos atuais, mas pela maneira como mundo tem funcionado. "A gente vive em um momento em que existe um descaramento absurdo, nenhum pudor em roubar, em acumular dinheiro ilicitamente, em sonegar imposto, nenhum pudor e em ter estratégias paralelas para que você possa preservar a fortuna do teu tataraneto", diz Cassio.
"A vilania da classe minoritária e muito rica do Brasil não está só na corrupção e na lavagem de dinheiro. Está também em não pensar no povo, em não dividir uma parte que seja dessa grana, em não pensar em coisas que possam ser benéficas para o povo", endossa Flávia.
No final das contas, os atores enxergam que estão lá para fazer a plateia rir e também para fazer o público pensar no que fariam se estivessem no lugar dos personagens. "O que aconteceria se caísse R$ 100 milhões na conta delas. Devolveriam? Não devolveriam? Esse é o questionamento que as pessoas fazem quando estão sentadas. A gente tem que fazer essa reflexão, esse é o nosso ofício", conclui Gabriel.
Serviço
Caixa 2
Local:
Teatro das Artes, São Paulo
Endereço: Av. Rebouças, 3970 - Store 409 - Pinheiros, São Paulo/SP
Data: de sexta a domingo até 30/08
Classificação etária: 14 anos
Ingressos aqui
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