São Luiz Gonzaga e Cerro Largo — música e religiosidade: as heranças missioneiras
O Porto Alegre 24h apresenta uma nova série sobre as Missões Jesuíticas em comemoração aos 400 anos das Missões e exalta a arte missioneira
A equipe de reportagem do Porto Alegre 24 Horas desembarcou na Capital Estadual da Música Missioneira para dar sequência à expedição "Conhecendo as Missões", em um projeto em parceria com o governo do Estado, dividido em oito episódios. A terceira parada foi na cidade de São Luiz Gonzaga.
Moldada pela lida dura e pelo sangue da Guerra Guaranítica, a comunidade local transformou a arte em um documento vivo de identidade e resgate histórico. O misticismo em torno do líder guerreiro Sepé Tiaraju inspirou gerações, incluindo o escritor Érico Veríssimo, que o retratou como um escolhido com uma luz na testa colocada pela própria Virgem Maria para guiar os guaranis na escuridão dos conflitos coloniais.
Diferente de outras localidades que se apoiam majoritariamente em pedras, São Luiz Gonzaga expandiu-se culturalmente através do gênio criativo de seu povo. O município tornou-se o berço de dois dos lendários quatro "Troncos Missioneiros": o pajador Jayme Caetano Braun e o músico Pedro Ortaça. Junto com Noel Guarany e Cenair Maicá, eles imortalizaram obras que uniram o Rio Grande do Sul à Argentina e ao Paraguai por ritmos como o chamamé, a milonga e a polca. Famosa por sua forte tradição de colonização, Cerro Largo preserva o seu marco urbano inicial na Cruz da Fundação, localizada na área urbana exatamente no ponto onde foi celebrada a primeira missa da colônia, trazendo detalhes históricos escritos em alemão. A herança religiosa estende-se até a Igreja Matriz, que abriga a imponente Cruz Jesuítica à sua frente, o túmulo do Padre Max Von Lassberg — jesuíta pioneiro da comunidade — e os registros dos Jubileus gravados nas paredes externas.
A salvaguarda histórica vai além e se consolida no Acervo do Museu 25 de Julho, mantido pelo Centro Cultural local, que reúne mais de 3 mil peças unindo a riqueza das reduções jesuíticas, a cultura indígena e artefatos que contam o dia a dia da imigração alemã. No fim de tarde, a vida comunitária e a tranquilidade típica do interior pulsam na Praça da Matriz, em frente à igreja, onde os moradores compartilham o tradicional chimarrão.
Giro na Expedição: "São Luiz Gonzaga transformou a lida e a história em canto vivo. O orgulho dessa herança é cantado a plenos pulmões pelas cordas do violão e o fole da gaita", destaca Daniela Reis, apresentadora da série, direto do centro cultural da cidade.
O quarto episódio vai ao ar dia 21 de junho, no canal do Porto Alegre 24h TV, no canal 8.1, das 22h às 23h. Acompanhe nossos canais e não perca essa expedição.
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