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Filme que relata horrores da CIA é aplaudido no Festival de Veneza, na Itália

Diretor Martin McDonagh afirmou que sempre apreciou 'desafiar a autoridade'

3 set 2026 - 15h22
(atualizado às 15h29)
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Resumo
Aplaudido no Festival de Veneza, o filme "Wild Horse Nine", de Martin McDonagh, mistura espionagem e comédia ácida para expor os horrores da CIA antes do golpe de 1973 no Chile. Estrelada por John Malkovich e Sam Rockwell, a trama acompanha dois agentes alheios à própria perversidade, retratando a violenta política externa dos EUA com assassinatos e desestabilizações políticas. Para a equipe, a obra desafia a autoridade e serve como reflexão direta sobre as tensões geopolíticas atuais.

O filme "Wild Horse Nine", de Martin McDonagh, sobre agentes da CIA em uma missão antes do golpe no Chile, foi amplamente aplaudido nesta quinta-feira (3), na 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, na Itália.

Diretor Martin McDonagh afirmou que sempre apreciou 'desafiar a autoridade'
Diretor Martin McDonagh afirmou que sempre apreciou 'desafiar a autoridade'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Apesar do tom grotesco, o longa, que mistura espionagem, suspense e comédia, é estrelado por John Malkovich e Sam Rockwell e apresenta uma abordagem profundamente política. Por meio da trajetória profissional dos dois agentes, o filme retrata uma política externa americana implacável, marcada por desestabilizações, golpes de Estado e assassinatos seletivos.

"Na verdade, sempre houve pouca discussão sobre o que os agentes da CIA fizeram nos últimos 15 a 20 anos ? as coisas terríveis perpetradas ao redor do mundo ? e é isso que o filme aborda. Ele fala sobre a Guatemala, o Congo e a Baía dos Porcos. Sabemos muito sobre a KGB, mas nunca questionamos a CIA tanto quanto talvez devêssemos", disse McDonagh, dramaturgo, roteirista e diretor anglo-irlandês conhecido por seu humor ácido e sua intensa ressonância emocional.

O diretor, que conversou com a imprensa em Veneza, acrescentou que o ponto de partida para a produção foi "fazer perguntas a mim mesmo" e não escondeu que sempre apreciou "desafiar a autoridade".

"Nos anos 1970, os agentes pelo menos tentavam manter suas atividades em segredo, ao contrário do que acontece hoje", disse o cineasta, com sua ironia característica.

Ao estabelecer um paralelo entre o filme e a situação atual na Venezuela, Malkovich avaliou que, "embora o longa se passe em 1973, o resultado final oferece uma reflexão natural sobre a geopolítica de hoje".

"Geralmente, gosto de fazer coisas que nunca fiz antes. Neste caso, adorei o fato de haver dois canalhas que não têm a menor noção de que fazem parte dessa engrenagem perversa, vendo-se em um contexto de democracia desestabilizada. Acho que isso é um ponto de partida fantástico", concluiu. .

Ansa - Brasil
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