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Armani revela arrependimento por não ter tido filhos em biografia póstuma

Livro escrito pela jornalista Roberta Filippini reúne confidências do estilista italiano

3 set 2026 - 15h19
(atualizado às 15h25)
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Resumo
A primeira biografia autorizada de Giorgio Armani, escrita pela jornalista Roberta Filippini, chega ao público revelando o lado íntimo e as vulnerabilidades do estilista italiano, falecido em 2025. Fruto de longas conversas iniciadas em 2014, a obra aborda momentos marcantes de sua trajetória na moda e no cinema, mas destaca principalmente seus arrependimentos pessoais, com ênfase no pesar de Armani por não ter tido filhos nem construído uma família numerosa.

O estilista italiano Giorgio Armani, um dos maiores nomes da moda mundial e que morreu em setembro do ano passado, aos 91 anos, se tornou conhecido pela elegância, pelo rigor e pela discrição. Mas, por trás do sucesso, havia também desejos pessoais e arrependimentos que o estilista raramente compartilhava publicamente.

E é esse lado mais íntimo que aparece em "Giorgio secondo Armani: La vita oltre il sucesso" ("Giorgio segundo Armani: A Vida além do sucesso", em tradução livre), primeira biografia autorizada sobre sua trajetória, escrita pela jornalista e amiga Roberta Filippini.

Publicado pela Marsilio Editori, o livro tem 368 páginas, custa 19,90 euros (cerca de R$ 118) e inclui um caderno de fotografias. A obra chegou às livrarias no último dia 1º de setembro, poucos dias antes do primeiro aniversário da morte de Armani, ocorrida em 4 de setembro de 2025.

Entre as revelações mais pessoais está o arrependimento do estilista por não ter formado uma grande família. "Ao olhar para trás, para a minha vida privada, o que realmente lamento é não ter constituído uma família com muitos filhos meus." Armani reconhecia, porém, que talvez tivesse sido um pai excessivamente ansioso e controlador. Ainda assim, dizia acreditar que a experiência lhe teria proporcionado o vínculo afetivo que desejava.

A origem do livro remonta a 2014, quando o próprio Armani telefonou inesperadamente para Filippini e propôs que ela escrevesse uma obra autobiográfica. A partir daí, os dois passaram a ter longas conversas no ateliê do estilista, na Via Borgonuovo, em Milão.

Segundo a autora, Armani respondia às suas perguntas abertas com grande franqueza. A intimidade dos encontros chegou a fazê-la comparar sua posição: "Às vezes, eu me sentia como sua psicanalista", escreve Filippini ao recordar a gênese do projeto.

O resultado não é uma biografia convencional, organizada de maneira estritamente cronológica. O livro percorre diferentes períodos da vida de Armani por meio de lembranças, reflexões e episódios ligados à família, à arte, à carreira e à personalidade do estilista.

Nascido em Piacenza, em 11 de julho de 1934, Armani cresceu entre os rios Pó e Trebbia. A infância e a relação com a família aparecem como elementos importantes para compreender o homem por trás da marca que se tornaria uma das mais reconhecidas do mundo.

O cinema também ocupa lugar especial em suas memórias. Ainda jovem, Armani acompanhou a irmã, que sonhava em ser atriz, em uma viagem de avião a Roma para um teste. Na ocasião, viu de perto nomes como Anna Magnani e Giulietta Masina, experiências que contribuíram para alimentar sua fascinação pelo universo cinematográfico.

Décadas mais tarde, essa paixão se encontraria com sua carreira na moda. Um dos momentos decisivos ocorreu quando o diretor Paul Schrader lhe pediu para vestir Richard Gere no filme Gigolô Americano. O paletó desestruturado criado por Armani para o personagem ajudaria a consolidar uma nova imagem de masculinidade no cinema e se tornaria um dos símbolos de sua carreira.

"É claro que eu jamais imaginei alcançar tal impacto na mídia e junto ao público", recorda Armani no livro.

A experiência também resultou em uma amizade duradoura com a atriz Lauren Hutton, que chegou a visitá-lo em Pantelleria, ilha italiana escolhida pelo estilista como refúgio e destino de férias.

Apesar da dimensão de seu sucesso, Armani nunca se sentiu completamente confortável com a palavra "estilista". O termo foi usado inicialmente por Nino Cerruti, para quem trabalhou depois de sua passagem pela loja de departamentos La Rinascente. Armani admitia que a importância excessiva atribuída ao título às vezes o incomodava.

Mais do que revelar um Armani completamente diferente daquele conhecido pelo público, o livro de Filippini procura mostrar a profundidade de um homem marcado pela sobriedade, pela contenção e pelo autocontrole ? mas também capaz de expor fragilidades, desejos e arrependimentos.

Há, ainda, uma segunda história dentro da biografia: a própria relação entre Armani e Filippini. O projeto permaneceu parado durante anos, depois da hesitação inicial do estilista. Após sua morte, a jornalista decidiu retomar as conversas e recuperar o material que ele havia confiado a ela.

"A beleza destas páginas talvez não resida na descoberta de um Armani diferente, mas sim na imersão em seu mundo de sobriedade e contenção ? um equilíbrio cultivado desde a infância", diz o texto, que transporta o leitor de volta aos acampamentos de verão dirigidos por sua mãe.  

Ansa - Brasil
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