Antônio Fagundes é alvo de ação trabalhista de R$ 62 mil e propõe acordo de R$ 500 a ex-funcionária
Ex-funcionária da Fazenda Fama cobra R$ 62,7 mil na Justiça e relata supostas condições insalubres e humilhações; defesa contesta as acusações e caso terá perícias.
O ator Antônio Fagundes é alvo de uma ação trabalhista de R$ 62 mil movida por Adriana Ruiz, ex-funcionária de sua fazenda em Ourinhos (SP). Ela alega sobrecarga, assédio moral, danos à saúde e contato com substâncias tóxicas sem adicional de insalubridade. A defesa do artista nega as acusações e afirma cumprir as normas legais. Em audiência, Fagundes propôs um acordo de R$ 500, rejeitado pela trabalhadora, que pediu R$ 50 mil. O processo aguarda a realização de perícias técnica e médica.
Antônio Fagundes, um dos nomes conhecidos da televisão brasileira, é réu em uma ação trabalhista movida por Adriana Ruiz, ex-funcionária da Fazenda Fama, em Ourinhos, no interior de São Paulo. 781,22 e relata supostas condições insalubres, sobrecarga de trabalho e episódios de humilhação. O processo segue em andamento na Justiça do Trabalho, sem decisão definitiva sobre os pedidos apresentados e foi revelado com exclusividade pelo colunista Daniel Nascimento do jornal o Dia.
De acordo com a petição inicial, Adriana foi contratada em julho de 2020 e permaneceu no emprego até janeiro de 2026, quando foi dispensada sem justa causa. 850. Ela afirma que era praticamente a única responsável pela limpeza de diferentes áreas da propriedade, incluindo banheiros, escritório, refeitório e espaços externos. Segundo sua versão, a quantidade de tarefas exigia esforço físico constante e tornava a rotina especialmente desgastante.
Um dos pontos centrais da reclamação envolve as condições em que os serviços eram realizados. Adriana alega que também lavava roupas utilizadas por operadores de máquinas agrícolas que, segundo ela, estavam sujas de veneno e outros produtos químicos empregados nas atividades rurais. A ex-funcionária sustenta que mantinha contato habitual com substâncias potencialmente prejudiciais à saúde e pede o pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo, de 40%, com reflexos nas demais verbas trabalhistas.
A trabalhadora afirma ainda que chegou a assinar documentos relacionados ao manuseio de produtos tóxicos, mas que isso não teria resultado no reconhecimento da insalubridade nem no pagamento do adicional. Segundo a petição, depois de questionar o direito à parcela, recebeu um reajuste salarial de 12%, sem que a situação fosse regularizada. O processo também inclui fotografias apresentadas pela autora para sustentar suas alegações sobre os sanitários, as áreas sob sua responsabilidade e o ambiente de trabalho.
Ex-funcionária relata humilhações e suposto assédio moral
Entre os episódios descritos na ação está a alegação de que Adriana teria sido pressionada a esfregar um banheiro com as próprias mãos, utilizando um produto químico que, segundo ela, continha amoníaco. A trabalhadora afirma que a situação ocorreu diante de outras funcionárias e que, ao se recusar a executar a tarefa naquelas condições, teria sido exposta a uma situação humilhante. O relato integra os pedidos relacionados ao reconhecimento de assédio moral e à indenização por danos morais.
A petição também menciona supostas repreensões agressivas, gritos, intimidações e constrangimentos diante de outras pessoas. Adriana atribui parte dessas condutas à gerente da propriedade e afirma que o tratamento teria ultrapassado os limites das cobranças profissionais.
Outro episódio teria ocorrido em dezembro de 2025. Segundo a ex-funcionária, depois que a fazenda concedeu um prêmio aos tratoristas, ela questionou por que a equipe de limpeza não havia recebido benefício semelhante. Alega que, durante uma reunião, foi chamada de "batata podre" pela gerente e incentivada a pedir demissão. Na versão apresentada à Justiça, como não aceitou deixar o emprego por iniciativa própria, acabou dispensada semanas depois. A defesa contesta essa narrativa.
Ação também cita problemas de saúde
Adriana afirma que desenvolveu problemas de saúde durante o período em que trabalhou na fazenda, incluindo hérnia de disco, comprometimento da coluna, derrame no joelho e abalo psicológico. Na ação, ela relaciona essas condições ao esforço físico exigido pelas tarefas, às condições de trabalho que descreve e à pressão emocional que diz ter enfrentado. Também relata ter precisado de acompanhamento médico, fisioterapia e atendimento psiquiátrico.
Segundo a petição, a profissional ainda estava em tratamento quando foi dispensada e teria cumprido o aviso-prévio apesar das dores e limitações físicas. Ela afirma que realizou exame médico periódico pouco antes do desligamento, mas não teria sido submetida a exame demissional. Por isso, pede o reconhecimento de doença ocupacional ou, alternativamente, de uma relação entre o trabalho e o agravamento de seus problemas de saúde.
Defesa de Antônio Fagundes nega irregularidades
Na contestação apresentada à Justiça, Antônio Fagundes nega as irregularidades relatadas pela ex-funcionária e pede que a ação seja julgada improcedente. A defesa afirma que as atividades eram realizadas dentro dos parâmetros legais, com fornecimento e fiscalização do uso de equipamentos de proteção. Também sustenta que os banheiros tinham acesso restrito e não registravam grande circulação de pessoas, argumentos utilizados para contestar o pedido de adicional de insalubridade.
Sobre as acusações de humilhação, a defesa nega que a trabalhadora tenha sido pressionada a esfregar um banheiro com as próprias mãos ou chamada de "batata podre". Também contesta a alegação de que a dispensa tenha sido uma retaliação. Em relação aos problemas de saúde, sustenta que não há comprovação de que as enfermidades tenham sido causadas pelas atividades profissionais e afirma que houve acompanhamento médico ocupacional.
Defesa propõe acordo de R$ 500 em audiência
Na audiência realizada em 24 de agosto de 2026, as partes não chegaram a um acordo. Conforme a ata, a defesa propôs o pagamento de R$ 500, enquanto a ex-funcionária apresentou uma contraproposta de R$ 50 mil. A tentativa de conciliação terminou sem entendimento.
A Justiça determinou a realização de perícia técnica para examinar as condições de trabalho e a possível exposição a agentes insalubres. Também foi determinada uma perícia médica para avaliar as alegações relacionadas à saúde da trabalhadora. Os resultados desses exames deverão contribuir para a análise dos pedidos apresentados no processo.
A reportagem tentou contato com Antônio Fagundes e seus advogados para solicitar um posicionamento sobre o caso. O texto considera a versão apresentada pela defesa nos autos e permanece aberto a esclarecimentos adicionais. Caso haja retorno, as informações serão incluídas em uma atualização desta matéria.
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