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DÊ SUA OPINIÃO
(OU CALE-SE PARA SEMPRE
Filme: Quando
o Amor Acontece, de Forest Whitaker.
Leia mais:
* Sobre o papel do crítico
* Sobre o filme "Quando o amor acontece"
* Sobre finais felizes
Sobre tudo que já
foi dito (mas o Johnny pega mais pesado)
De: Johnny
A dificuldade que se tem hoje em dia em conseguir um produtor para um
roteiro que se faz com esforço e dedicação (seja ele bom ou não) contrasta
com a facilidade que se tem para detonar impiedosamente trabalhos cinematográficos
através de colunas escrevinhadas em jornais ou outros meios de comunicação
que tomam a designação genérica de "resenhas". (continua)
De: Gerbase
O esforço e a dedicação, como você reconhece, são fatores extrínsecos
ao roteiro (ou ao filme). Tenho um razoável conhecimento sobre as dificuldades
de fazer cinema no Brasil, mas não acredito que fazer "Quando o amor acontece"
tenha sido um tremendo esforço. Pra te falar a verdade, acredito naquela
velha frase feita: "De boas intenções, o inferno está cheio". Não comento
intenções (a não ser que elas sejam criminosas ou anti-éticas). Comento
filmes.
De: Johnny
Eu mesmo não suporto frases feitas, mas não dá para contrariar muito quando
se afirma por aí que esses "resenhistas" ou "críticos" não passam de cineastas
frustrados, sejam os que jamais fizeram um filme (apesar de sonharem com
isso todo o tempo), sejam os que produziram filmes de qualidade duvidosa.
Afinal de contas, que outra explicação seria plausível o suficiente para
explicar de forma satisfatória tamanho rancor e despeito evidentes na
"análise" de alguns filmes, e que, em última instância, nos brindam com
nada mais do que absoluta falta de respeito com o trabalho alheio? (continua)
De: Gerbase
Achar que críticos são realizadores frustrados é um lugar-comum e uma
frase feita. Mal feita. Se criticar livremente é falta de respeito, viva
o desrespeito.
De: Johnny
Resenhas como a que o Sr. Gerbase pôs a público sobre o filme "Quando
o Amor acontece", de Forest Whitaker, na homepage do ZAZ do dia 18/Novembro/1998,
representam o supra-sumo da falta de ética de uma pessoa cuja função é
ir ao cinema, assistir a um filme e traçar opiniões o mais lúcidas e coerentes
possíveis sobre a produção. Em vez disso, esse Sr. desfila uma série interminável
de considerações grosseiras a respeito de vários aspectos do filme, em
uma atitude francamente desdenhosa e profundamente desagradável, culminando
com um magistral conselho para "esquecerem o filme".
De: Gerbase
Favor ler as opiniões dos leitores Luiz Tinoco e José Ricardo
sobre o filme em questão. Você verá que não estou sozinho. Eventualmente,
até posso sentir-me solitário. Mas é raro.
De: Johnny
Não assisti ao filme, nem sou fã de Sandra Bullock ou do gênero comédia-romântica,
mas não foi preciso comprar um ingresso para perceber que o Sr. Gerbase
usou de tendenciosidade e duvidosíssima postura ética ao criticar de forma
tão acintosa o primeiro trabalho de direção, grife-se bem, o PRIMEIRO,
de um ator bem e justamente reconhecido no mundo cinematográfico. (continua)
De: Gerbase
Sabe, Johnny, eu também achava que era o primeiro (PRIMEIRO, grife-se
bem) trabalho do Whitaker. Só que, ao contrário de você, que fala de um
filme antes de vê-lo, eu fiz uma rápida pesquisa e descobri que este é
o TERCEIRO (grife mais, se assim lhe agradar) trabalho de Whitaker como
diretor. Antes da gororoba "Quando o amor acontece" ele dirigiu "Waiting
to Exhale" e "Strapped" (este para a TV). Não sei como são estes trabalhos.
Talvez até sejam interessantes. Mas, com toda certeza, Whitaker NÃO ERA
(grifos em profusão) um estreante quando encontrou Sandra Bullock.
De: Johnny
É tão estarrecedor o procedimento do Sr. Gerbase que ele parece imaginar
estar fazendo um grande favor ao filme ao elogiar dois protagonistas infantis
(fazendo a ressalva "importantíssima" de que a menina é feia e usa óculos,
como se o fato de ser feia ou bonita garantisse presença ou ausência de
talento dramático). Mas ao menos, em um achaque de "magnanimidade", ele
"atribuiu" explicitamente aos leitores a permissão para o considerarem
"preconceituoso". Ainda bem, Sr. Gerbase (ufa), caso contrário eu ficaria
com "terrível" dor de consciência ao rotulá-lo de preconceituoso. Plante-se
em um set de filmagem e tente levar a cabo razoavelmente uma produção
repleta de nuances e complexidades que o Sr. obviamente parece não ter
tido a oportunidade de perceber. (continua)
De: Gerbase
Plantar-me num set? Que sugestão terrível! Um set é um local normalmente
muito desagradável, quente demais, com problemas demais. Quem sabe eu
me planto perto de uma moviola? É mais tranqüilo. O problema é a pouca
luz. Você rega, de vez em quando?
De: Johnny
Termine uma produção de algum calibre, após investir um dinheiro que muitas
vezes não se tem, acalente um projeto com carinho e sonhos de vê-lo completo
a acabado, faça a campanha de mercado (se tiver condições para isso),
estréie o filme e veja os jornais do dia seguinte. Quão maravilhoso deve
ser, quão incentivado e gratificado deve se sentir um diretor, ao ver
o seu trabalho de meses (eventualmente anos) ser tratado publicamente
como lixo por umas quatro ou cinco pessoas que passaram duas horas em
contato com ele. Acha que o Sr. Whitaker gostaria de ver o seu trabalho
execrado publicamente desta maneira? Acha que ele se tornará um diretor
melhor ou pior ao ler a sua crítica? Qual é o seu objetivo quando escreve
resenhas deste tipo, Sr. Gerbase?
De: Gerbase
Dizer aos meus leitores, com a maior honestidade possível, o que acho
do filme, independente do seu calibre. Se possível, dar algumas informações
adicionais sobre a obra (mas esta é a função das resenhas "objetivas"
do ZAZ). E, principalmente, escrever um texto que lance sobre o filme
uma luz inesperada, de preferência útil, quiçá divertida.
De: Johnny
Alertar ao diretor "medíocre" que foi uma perda enorme de tempo e dinheiro
quando ele resolveu levar a cabo uma produção em que depositava seu esforço
criativo? Insinuar que ele deve tomar aulas de Cinema com o Sr.? Ou aconselhá-lo,
como o Sr. fez com o Sr. Whitaker, a voltar o mais rapidamente para a
frente das câmaras? Ou será então alertar ao público quanto ao perigo
de assistir a um filme que o Sr. considerou deplorável a ponto de ser
esquecido? O Sr. o considerou ruim! E a partir da sua ótica pessoal. Qual
o valor disso? Tenho lá minhas dúvidas. Repito: não assisti ao filme,
mas aposto todas as minhas fichas que ele não é tão ruim assim.
De: Gerbase
Eu dobro a aposta.
De: Johnny
Porque crônicas como as suas há por aí aos borbotões. O Sr. próprio já
fez críticas semelhantes anteriormente. O Sr. apenas exagerou um pouco
desta vez. Sr. Gerbase, dê o direito às pessoas de tecerem suas considerações
pessoais sobre o filme. (continua)
De: Gerbase
Estou "dando o direito", Johnny. Aliás, não conheço crítico algum que
consiga cassar esse direito. A diferença é que, aqui no ZAZ, também estamos
publicando. E discutindo. Você preferia ficar falando sozinho?
De: Johnny
O Sr. não é dono do veredicto máximo sobre um filme. Já parou alguma vez
para pensar que há pessoas que não podem conceber um filme sem final feliz?
Isso por si só já invalidaria a sua estranhamente sintomática aversão
por finais felizes. (continua)
De: Gerbase
Pobres pessoas que só podem conceber filmes com finais felizes. Devem
ser muito infelizes. Ou talvez estejam precisando de tratamento psiquiátrico.
De: Johnny
Ao meu modo de ver, um filme tem início, meio e fim (exceção feita a "Pulp
Fiction") e um final triste, feliz, apocalíptico, festivo ou devastador
não garante absolutamente a qualidade ou a falta dela em um filme. E qualquer
pessoa com um mínimo de percepção observa que a maioria dos freqüentadores
de salas de projeção preferem finais felizes. O Sr. vai por acaso me dizer
que são todos maus apreciadores da Sétima Arte? Nem é esse meu caso, aprecio
filmes simplesmente bons, sejam com finais felizes ou catastróficos. Posso
até achar uma determinada produção um mero desperdício de celulose. (...)
E, Sr. Gerbase, por pior que Sr. considere um determinado filme, há formas
mais educadas, inteligentes e elegantes de se abordar o assunto. Como
se vê, não estou aqui para defender o filme (uma vez que nem o vi), ou
o elenco ou o diretor. Estou antes para mostrar o meu repúdio ao comportamento
dessas pessoas que se dizem "críticas de cinema". Usar termos como "idiotas"
ao se referir aos cineastas "politicamente corretos" ou "boçalidade",
referindo-se a um possível marido de Sandra Bullock (seria ela mesma ou
a personagem?) (continua)
De: Gerbase
Não conheço a Sandra pessoalmente. Seria um prazer (mas não se preocupe,
Luiz Tinoco; depois te apresento). Estava me referindo à personagem. Outra
coisa: o fim do "Pulp Fiction" é quando o filme acaba e as luzes do cinema
se acendem.
De:
Johnny
...há de se convir que são agressões gratuitas e dispensáveis de ser vistas
em homepages de informação como a do ZAZ. Iconoclastia arbitrária e ressentida
não significa sintoma de rebeldia nobre, mas antes de imaturidade e de
prováveis problemas mal-resolvidos. Pode o Sr. não concordar comigo em
nada do que eu disse (graças à autonomia das mentes, tem todo esse direito),
mas um pouco mais de carinho com o trabalho alheio não lhe faria mal em
suas próximas resenhas, porquanto é visto e sabido que é muito mais difícil
construir do que destruir e isso acarreta uma desvantagem clara para os
construtores.
De: Gerbase
Apesar das referências gratuitas e dispensáveis aos meus problemas mal
resolvidos e à minha imaturidade, gostei dessa discussão. Nada como uma
boa briga para resolver problemas pessoais e moldar personalidades mais
maduras. Prometo ser mais carinhoso, não chamar mais criança alguma de
feinha (mesmo que ela se esforce para sê-lo), nem dizer que o Forest é
feio como o diabo. De agora em diante, só a Pri fala sobre o Forest. Mas
a Sandra tem que me prometer que não me despede do ZAZ. Um abraço para
todos. Semana que vem tem mais.
Quando
o Amor Acontece (Hope Floats, EUA, 1998). De Forest Whitaker.
Com Sandra Bullock, Harry Connick Jr., Gena Rowlands, Mae Whitman e outros.
Dê
sua opinião ou cale-se para sempre
Carlos
Gerbase
é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista
e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A
gente ainda nem começou e Fausto)
e atualmente prepara o seu terceiro longa-metragem para cinema, chamado
"Tolerância". Índice de colunas.
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