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DÊ SUA OPINIÃO (OU CALE-SE PARA SEMPRE

Filme: Quando o Amor Acontece, de Forest Whitaker.

 

Leia mais:
* Sobre o papel do crítico
* Sobre o filme "Quando o amor acontece"
* Sobre tudo que já foi dito (mas o Johnny pega mais pesado)

Sobre finais felizes

De: Eduardo W.K.
Você não acha que radicaliza ao querer o fim dos finais felizes? O que seria de Ulisses se Homero compartilhasse da sua opinião? Ou de Jean Vilejan, se Victor Hugo o fizeste também? Ou de nós mesmos, inspirados por desilusões perdidas em sombria complexidade, distantes de saídas triunfantes, resoluções "mirabolantes", beijos apaixonantes, que talvez acabassem resultando em finais nem tão maravilhosos, se os escritores permitissem a nós um tempo adicional após tantos finais felizes? Então, questiono: quem deseja ver o que martela em nossas mentes diariamente através da realidade? Se sabemos o que acontece na realidade, porque não sonharmos com o improvável?

De: Luciano Pletsch Leite
Não se esqueça que cinema é principalmente diversão, então os finais felizes são salutares. Ou você quer que as pessoas saiam do cinema deprimidas com aquele final infeliz, no qual todos os personagens se deram mal? As pessoas querem principalmente esperanças de um mundo melhor! Se a realidade não ajuda muito, um filmezinho pode ajudar. Não vejo mal algum.

De: Gerbase
Transcrevo a seguir, para o Eduardo e o Luciano, a opinião do crítico italiano Umberto Barbaro sobre finais felizes:

"Um tipo de final de preferência a outro não pode, pois, ser previsto independentemente das necessidades íntimas da obra, senão no filme de confecção" (Barbaro está falando do filme que rotulamos de comercial) "Tal filme acha-se nitidamente em antítese com o de arte: este é criação autônoma de linguagem original; aquele é, por definição, réplica ao infinito de formas já achadas, experimentadas, aceitas e fáceis e, portanto, também particularmente compreensíveis e adequadas ao grande público. Assim, perante a atividade do filme de arte, está a passividade do filme de indústria. O filme de confecção é, pois, como se viu, eminentemente imoral e devia dar-se-lhe a mesma caça que se dá, nos países civilizados, aos estupefacientes." (retirado do livro "Argumento e roteiro", Global Editora, 1983)

Concordo, na essência, com Barbaro, mas é preciso relativizar as fronteiras entre os filmes "de arte" e os "de indústria". Cinema é uma atividade esquizofrênica, que mistura arte e indústria sem qualquer cerimônia. Centenas de realizadores conseguem a façanha de fazer filmes de inegáveis méritos artísticos, que agradam ao público e fazem os estúdios (a "indústria") lucrar milhões de dólares. O final feliz de "Quando o amor acontece" é ruim porque não tem sustentação dramática. E, se quisermos radicalizar como Barbaro, podemos até dizer que não passa de um estupefaciente da pior qualidade. A discussão a seguir seria sobre o direito das pessoas se drogarem. Vamos deixar essa pra semana que vem.

Quando o Amor Acontece (Hope Floats, EUA, 1998). De Forest Whitaker. Com Sandra Bullock, Harry Connick Jr., Gena Rowlands, Mae Whitman e outros.

Dê sua opinião ou cale-se para sempre

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e Fausto) e atualmente prepara o seu terceiro longa-metragem para cinema, chamado "Tolerância".

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