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Calmon: assinatura ou financiamento exige análise caso a caso

Carro por assinatura pressupõe se livrar de administrar obrigações que cabem ao proprietário, mas não é bem assim; leia a análise

30 nov 2023 - 16h11
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Pátio de automóveis
Pátio de automóveis
Foto: Agência Brasil / Guia do Carro

Nos últimos três anos o mercado de automóveis sofreu as consequências da pandemia da covid-19, falta de componentes e principalmente de semicondutores, interrupções temporárias da produção e falta ou limitação de oferta de vários modelos nas concessionárias.

Entre as várias distorções que se seguiram, carros seminovos passaram a valer até mais que os zero-quilômetros. Ao longo de 2023 a produção cresceu e aos poucos o mercado volta à normalidade.

Esse cenário ajudou a tendência de glamorizar a assinatura como se fosse algo novo ou disruptivo. Na realidade é uma operação já muito conhecida como leasing (espécie de aluguel) operacional. Uma mudança de nome que traz vantagem ou dores de cabeça dependendo do perfil de quem tem condições de comprar à vista ou apenas de financiar.

A assinatura pressupõe que o interessado vai se livrar de administrar obrigações como contratar seguro e quitar impostos, taxas e revisões periódicas. Na realidade, apenas desembolsará por esses serviços de outra forma. Há situações imponderáveis como honrar a franquia do seguro, em caso de acidente.

Honda ZR-V é bom, mas não empolga como a primeira geração do HR-V:

Se optar por um plano de 1.000 km/mês, por exemplo, terá um custo extra se precisar rodar distâncias adicionais em viagens de férias ou a trabalho. Mesmo se nos meses seguintes se mantiver abaixo da franquia contratada de 1.000 km/mês e a compensação deixar de ocorrer. É preciso ficar muito atento ao que está no contrato.

Desistir da assinatura antes do final do período também pressupõe encargos em geral mais pesados do que devolver um veículo financiado.

Se o comprador é assalariado, contratou financiamento e perdeu o emprego ou a renda, ainda há opção de negociar com o banco ou financeira porque já pagou à vista no mínimo 20% do valor do automóvel como entrada, além das prestações. Depois de quitar todas as mensalidades, o carro ainda pode ser vendido e o valor servir de entrada para aquisição de outro.

Como regra geral, assinatura se torna vantajosa para casos específicos de quem reúne condições de pagar à vista, mas prefere administrar o valor do veículo no mercado financeiro e receber rendimentos. Para tanto deve dominar os meandros dos investimentos e ter um capital alto para aplicar.

Isto significa que somente modelos de valor elevado ou muito elevado, caso de produtos importados, deveriam de fato atrair essa opção.

Guia do Carro
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