Uso intenso de redes sociais prejudica bem-estar de jovens, aponta relatório
O uso intenso de redes sociais parece contribuir para uma queda no bem-estar dos jovens, especialmente das meninas, em alguns países de língua inglesa, segundo o Relatório Mundial da Felicidade publicado nesta quinta-feira.
Vários países já estão trabalhando em planos para restringir o acesso das crianças às mídias sociais, depois que a Austrália se tornou, em dezembro, o primeiro país do mundo a proibir as redes sociais para menores de 16 anos.
A pesquisa mais recente publicada no Relatório Mundial da Felicidade, que é anual, baseia-se em dados da empresa norte-americana de pesquisa de mercado Gallup e em outros estudos, analisados por uma equipe global liderada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.
O relatório não estabeleceu uma ligação direta. No entanto, os pesquisadores da versão deste ano do relatório combinaram os dados da Gallup com os do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes da OCDE e outros estudos, o que os levou a concluir que o uso intenso de redes sociais parece reduzir a felicidade.
"A mensagem que chega em alto e bom som é que devemos tentar colocar o social de volta na mídia social", disse à Reuters o professor de economia da Universidade de Oxford Jan-Emmanuel de Neve, um dos editores do Relatório Mundial da Felicidade.
De Neve acrescentou que o conteúdo impulsionado por algoritmos, consumido passivamente e, em sua maioria, do tipo influenciador, teve um impacto mais negativo sobre os usuários do que uma plataforma que conecta as pessoas socialmente.
Com a ressalva de que o impacto da mídia social sobre o bem-estar é complexo, ele disse que os dados combinados mostraram que as meninas de 15 anos que usavam plataformas de rede social por mais de cinco horas por dia relataram menor satisfação com a vida em comparação com as meninas da mesma idade que usam menos a mídia social.
Os dados da pesquisa mundial da Gallup mostraram que as avaliações de vida, ou como as pessoas avaliam sua satisfação com a vida, entre os jovens com menos de 25 anos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia caíram "drasticamente", em quase um ponto em uma escala de 0 a 10, na última década.
Em contrapartida, a satisfação com a vida relatada pelos jovens do resto do mundo aumentou, em média, no mesmo período.
Julie Ray, editora-chefe da Gallup, disse que a diferença na satisfação com a vida entre os jovens de alguns países de língua inglesa e do resto do mundo provavelmente está relacionada a condições sociais mais amplas.
"O apoio social é um dos indicadores mais fortes de bem-estar, e pesquisas anteriores mostram que, em alguns países, os mais jovens relatam sentir-se menos apoiados, o que pode ajudar a explicar esse padrão", declarou ela à Reuters por e-mail.