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Um smartphone por R$ 12? Testamos o celular inteligente 'mais barato do mundo'

5 jul 2016 - 08h47
(atualizado às 09h38)
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Só havia alguns aplicativos básicos no Freedom 251 quando a BBC o testou
Só havia alguns aplicativos básicos no Freedom 251 quando a BBC o testou
Foto: BBC / BBC News Brasil

No início do ano, a empresa indiana Ringing Bells anunciou para espanto de muitos que lançaria o smartphone Freedom 251 a um preço abaixo dos US$ 4 (R$ 13). Agora, a empresa diz que colocará à venda 200 mil unidades do modelo a partir de 7 de julho. A repórter Shilpa Kannan, da BBC em Nova Déli, na Índia, foi uma das primeiras pessoas a testá-lo e diz se há razão para tanto ceticismo:

Ter em mãos um dos smartphones "mais baratos do mundo" não é fácil.

O Freedom 251 é um aparelho com sistema Android que a Ringing Bells pensa vender a 251 rúpias (R$ 12,30).

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Ao manipulá-lo, ele se parece com um iPhone 5, da Apple. E, levando em conta seu preço, as especificações são bem impressionantes:

  • Câmeras em ambos os lados;
  • 1GB de RAM;
  • 8 GB de memória interna, expansível para 32 GB;
  • Processador quad-core, que fornece um maior poder de processamento quando necessário e usa menos bateria no resto do tempo

Há dois modelos: um branco e outro preto.

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Aplicativos básicos

Freedom 251 vem com câmera e flash na parte de trás
Freedom 251 vem com câmera e flash na parte de trás
Foto: BBC / BBC News Brasil

Em princípio, ele parece se comportar como um smartphone mais simples. Mas é difícil colocar à prova seus recursos, já que vem com apenas alguns aplicativos básicos, como calculadora, tocador de música, navegador de internet e e-mail.

Mas muitos questiona se a companhia será capaz de entregar milhões de aparelhos como promete.

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Um membro do Parlamento indiano, Kirit Somaiya, chegou a sugerir que tudo não passa de uma "grande farsa", enquanto o diretor da Associação Indiana de Celulares, que reúne empresas do setor, disse que a venda de um aparelho assim parecia "uma piada ou um golpe".

Mohit Goel nega que o lançamento do Freedom 251 seja uma fraude
Mohit Goel nega que o lançamento do Freedom 251 seja uma fraude
Foto: BBC / BBC News Brasil

Mohit Goel, fundador e presidente da Ringing Bells, nega as acusações de fraude.

Sua família está no ramo de fabricação de frutas secas há anos, e ele diz que o desejo de fazer parte da Índia digital o levou a ter a ideia de um smartphone de baixo custo.

Alta demanda

Não se pode negar que há muita demanda por um produto assim.

A Índia é o segundo maior mercado de celulares do mundo, com 1 bilhão de assinantes, muitos dos quais têm um smartphone barato - ainda que não tão barato assim. Mas o Freedom 251 é bom demais para ser verdade?

Pude mexer em um aparelho quando a empresa o anunciou, em fevereiro deste ano.

Mais de 70 milhões de pessoas se registraram na época pela internet para comprá-lo. O site da companhia não aguentou e chegou a sair do ar.

No entanto, o telefone dado a mim e outros jornalistas era na verdade um modelo feito por uma empresa da China.

Mercado indiano de celulares tem 1 bilhão de assinantes
Mercado indiano de celulares tem 1 bilhão de assinantes
Foto: EPA / BBC News Brasil

O nome da marca - Adcom - estava coberto por tinta branca na frente e por um adesivo na parte de trás. E, estranhamente, os símbolos dos aplicativos se pareciam com o sistema iOS, usado no iPhone, apesar de ser um aparelho Android.

Isso gerou furor e protestos na porta da sede da companhia, que foi questionada pela polícia, autoridades fiscais e uma agência do governo indiano responsável por combater crimes econômicos.

A Ringing Bells devolveu, então, os depósitos feitos por 30 mil potenciais compradores pela internet.

O novo aparelho é um modelo completamente diferente. A mudança mais óbvia é que há agora três botões abaixo da tela, em vez de apenas um.

Subsídios

Aparelhos mostrados à imprensa em fevereiro eram muito diferentes
Aparelhos mostrados à imprensa em fevereiro eram muito diferentes
Foto: EPA / BBC News Brasil

Mas onde a Ringing Bells está fabricandos este telefones, se ainda precisa construir suas fábricas?

Goel diz que sua empresa está importando "peças" de Taiwan e realizando a montagem em Haridwar, no norte do país.

O celular custa cerca de 1.180 rúpias para ser fabricado, e a Ringing Bells diz subsidiá-lo por meio de acordos com as fabricantes dos aplicativos que já vêm pré-instalados.

Goel diz que terá um prejuízo de 150 rúpias com cada smartphone, e espera que o governo também o subsidie.

Cerca de 200 mil unidades estariam prontas para serem vendidas.

Mohit Goel espera vender uma linha de telefones mais caros, além do Freedom 251
Mohit Goel espera vender uma linha de telefones mais caros, além do Freedom 251
Foto: BBC / BBC News Brasil

A Ringing Bells também planeja ter modelos mais caros, vendidos por até US$ 100 (R$ 330) - e com lucro. Mas os críticos ainda não estão convencidos.

"Acho difícil crer que um telefone pode ser fabricado por 251 rúpias, então, é difícil entender o modelo de negócios deles", diz Pranav Dixit, especialista em tecnologia do site de notícias Factor Daily.

"E tem algo mais importante: os fundadores não têm experiência na indústria de tecnolgia."

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