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Ucrânia escolherá modelos de IA operados sem controle do provedor, diz autoridade

7 jul 2026 - 15h07
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A ‌Ucrânia dará preferência a sistemas de inteligência artificial que possam ser executados em seus próprios servidores, disse uma autoridade de alto escalão do governo nesta terça-feira, enquanto Kiev, em tempos de guerra, busca evitar que as ferramentas digitais para serviços governamentais, empresas e forças armadas ⁠dependam de sistemas remotos que os provedores podem restringir ou desligar.

A abordagem ‌privilegia modelos auto-hospedados, ou "on-premise", que a Ucrânia pode implantar em sua própria infraestrutura, ao mesmo tempo que limita soluções que, por ‌definição, permanecem sob o controle do provedor — ‌categoria que inclui os principais modelos da Anthropic e da ⁠OpenAI.

A política foi reforçada depois que o governo dos EUA ordenou à Anthropic que cortasse o acesso a modelos poderosos, ecoando um sentimento europeu mais amplo, disse à Reuters Roman Kyslyi, diretor de IA do Ministério da Transformação Digital da Ucrânia.

"Isso confirma que a soberania da ‌IA não é apenas um argumento defensivo, é uma necessidade", disse ‌ele.

A Reuters informou na ⁠terça-feira que as ⁠autoridades chinesas estão considerando impor restrições aos principais modelos de IA, que atualmente ⁠dominam o mercado de código aberto.

Kyslyi ‌afirmou que o critério ‌decisivo não é a origem do modelo. "Se o fornecedor disponibilizar a versão para execução em nossa infraestrutura local, não há restrições."

"O modelo é essencialmente uma commodity", disse Kyslyi, acrescentando que a Ucrânia ⁠trabalharia com qualquer fornecedor cuja tecnologia pudesse ser implantada sob controle ucraniano.

Atualmente, o assistente de IA da Ucrânia, integrado ao aplicativo governamental Diia, opera com o Gemini do Google, que é exclusivamente remoto e acessado por meio de servidores ‌na União Europeia. Kyslyi afirmou que o Google forneceu tokens gratuitos para ele, o que significa que não houve gastos com o ⁠orçamento.

Ainda assim, a Ucrânia remove os dados pessoais antes de enviar consultas à Gemini porque "não controla esses modelos", disse ele, descrevendo o Gemini como uma solução "provisória".

A Ucrânia também está desenvolvendo seu próprio modelo com a Kyivstar , baseado no Gemma do Google, sua variante aberta, com lançamento previsto para o outono do hemisfério norte e destinado ao uso em serviços governamentais, empresas privadas e forças armadas.

Kyslyi afirmou que o ministério comparou diversas opções de código aberto antes de escolher o Gemma, incluindo os modelos da Mistral e o GPT-OSS da OpenAI. Segundo ele, o Gemma e a Mistral apresentaram desempenho equivalente ao de alternativas exclusivamente remotas em muitos testes.

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