Que fofo! Elefantes gostam da presença de seres humanos, diz estudo
Foram analisados mais de 100 artigos de pesquisa para entender maneiras pelas quais os visitantes de zoológicos influenciaram 250 espécies
Os elefantes são tão sociáveis que são dos poucos animais selvagens que parecem gostar da companhia de seres humanos. É o que concluíram cientistas de comportamento animal das universidades Nottingham Trent e Harper Adams, ambas no Reino Unido. O estudo saiu em fevereiro na revista científica Animals mas só foi divulgado nesta semana.
Os especialistas analisaram mais de 100 artigos de pesquisa anteriores para entender as várias maneiras pelas quais os visitantes de zoológicos impactaram o comportamento de mais de 250 espécies animais.
No caso dos elefantes, foi percebido que a atividade social entre os animais aumentou na presença dos humanos. De modo geral, comportamentos repetitivos — que muitas vezes indica que os bichos estão entediados — diminuíram quando o público os alimentava.
Além disso, os comportamentos repetitivos dos enormes mamíferos diminuíram na presença de um maior número de visitantes. Outro indicador é que no período após a alimentação pública deles, houve um aumento do forrageamento — nome dado à exploração de recursos alimentares, um hábito considerado saudável — e uma diminuição dos seus níveis de inatividade.
Nos estudos analisados, a maior parte do impacto dos visitantes sobre as demais espécies foi predominantemente neutra. Mas houve bons resultados sociais estimulado do público nas cacatuas, corelas de bico longo, pinguins, jaguares, ursos pardos, ursos polares, guepardos, servais, bantengues (espécie de bovino selvagem) e cães da pradaria de cauda preta.
Pelo lado negativo, animais que não curtiram ficar perto das pessoas foram espécies de aves não voadoras, ungulados (animais de casco), marsupiais, avestruzes, tuataras e ouriços.
A pesquisa analisou especificamente espécies de não primatas, e a maioria dos animais estudados eram mamíferos (56%) e aves (28%). Anfíbios, répteis, peixes e invertebrados também foram incluídos. O comportamento dos bichos mudou após as visitas em até 38% dos casos.
O risco do tédio nos animais
O tédio animal e os comportamentos repetitivos têm sido estudados por biólogos nos últimos anos. Em 2017, depois que um artigo foi publicado na revista Animal Behaviour, a especialista em trauma de chimpanzés Stacy Lopresti-Goodman explicou os riscos corridos como animais entediados, incluindo os elefantes.
"O tédio em cativeiro pode absolutamente levar à depressão", disse Lopresti-Goodman à NPR na época. "Muitos animais em cativeiro se envolvem em comportamentos anormais e repetitivos, como andar e morder a si mesmos, na tentativa de se autoestimular na ausência de estímulo social, cognitivo ou ambiental."