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Pensávamos que os animais de estimação estavam substituindo os filhos, mas estudo sugere justamente o contrário

Pessoas que adotam cachorro têm até 33% mais chances de ter filho mais tarde Não se trata de desistir, mas de esperar: o animal de estimação como sintoma de uma estabilidade econômica que nunca chega

28 jun 2026 - 11h52
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Foto: Imagem | Unsplash / Xataka

A primeira vez que vi um cachorro em um carrinho de bebê foi em um shopping. Passou por mim como qualquer outro carrinho: rodas, cobertura, um pequeno embrulho dentro. Olhei duas vezes porque parecia pequeno demais para um bebê, mas não era. Dentro havia um cachorro. Lembro-me bem que era um buldogue francês e que se chamava Chanel.

Com o tempo, a cena deixou de me parecer excepcional. Comecei a ver carrinhos de cachorro em centros urbanos, parques e até mesmo no transporte público. Uma imagem que se tornou símbolo de algo mais profundo: a sensação de que, em sociedades envelhecidas, os animais de estimação estão ocupando um lugar que antes era ocupado por crianças. Mas e se essa interpretação for incompleta, ou simplesmente errada? E se, longe de substituir os filhos, os animais de estimação estivessem desempenhando um papel diferente na vida familiar? Um estudo acadêmico desafiou uma crença amplamente difundida há alguns meses.

Para começar, os números ajudam a explicar por que essa suspeita ganhou força no debate público. Na Espanha, (REIAC), em 2023 havia mais de dez milhões de cães registrados, em comparação com menos de dois milhões de crianças entre 0 e 4 anos. Uma diferença tão grande sugere quase automaticamente uma mudança na dinâmica familiar.

Cenas vindas do exterior reforçam essa impressão. A Coreia do Sul ultrapassou um limite simbólico: agora são vendidos mais carrinhos de bebê para cães do que para bebês. Isso não é um exagero; é o reflexo estatístico de um país ...

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