Novo videogame mede percepção sensorial no espectro autista
Ferramenta desenvolvida na Universidade de Boston avalia mecanismos neurais em participantes verbais e não verbais
Pesquisadores da Universidade de Boston desenvolveram um videogame, chamado Geode, que avalia percepção sensorial em pessoas no espectro autista, incluindo não verbais, eliminando a necessidade de instruções verbais, com o objetivo de auxiliar na compreensão do funcionamento cerebral e no futuro desenvolvimento de medicamentos.
Um novo videogame desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Boston está rompendo barreiras na ciência ao permitir que pessoas com autismo, incluindo aquelas que não utilizam a fala, participem de estudos sobre o funcionamento do cérebro. Batizado de Geode, o jogo elimina a necessidade de instruções verbais, tornando a pesquisa acessível a todo o espectro autista.
O objetivo é entender como o cérebro processa informações sensoriais e, futuramente, auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos. Publicado na revista Science Advances, o estudo foi conduzido pela equipe do professor assistente Benjamin Scott, em parceria com Helen Tager-Flusberg, diretora do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Autismo da instituição, e o professor associado Joseph McGuire.
A entidade Autism Speaks estima que uma em cada 31 crianças nos Estados Unidos receba o diagnóstico do transtorno. Cientistas enfrentavam dificuldades para mensurar respostas diretas de voluntários com quadros profundos, dependendo de relatos de familiares.
Como funciona a dinâmica do jogo?
O participante controla um personagem em uma caça a joias guiada por um mapa do tesouro na tela. Sinais luminosos piscam nas extremidades da imagem para indicar a localização dos itens escondidos, variando em tempo, brilho e frequência.
A programação foi desenvolvida por Quan Do, com apoio gráfico externo, permitindo que os participantes aprendam as regras apenas por reforço e tentativa durante o uso, sem tutoriais explicativos prévios.
Quais foram os resultados observados nos testes?
Os testes avaliaram mais de 300 jovens com idades entre 11 e 17 anos. O grupo incluiu mais de 200 indivíduos diagnosticados com o transtorno do neurodesenvolvimento e irmãos neurotípicos como grupo de controle.
A análise apontou que os voluntários com autismo levaram mais tempo para absorver a dinâmica e apresentaram menor precisão diante dos pulsos luminosos rápidos. Os dados sugerem uma alteração na integração perceptual, fenômeno em que o cérebro reúne estímulos contínuos para formar conclusões complexas, influenciado por ruídos na atividade dos circuitos neurais.
Qual é a origem da metodologia aplicada?
A mecânica sem comandos foi adaptada a partir de experimentos do Laboratório de Cognição Comparativa com aves e roedores. A metodologia permite aproximar modelos comportamentais de animais dos estudos clínicos humanos, com colaborações de Sucheta Chakravarty, Yutong Li e Vanessa Torres-Lacarra, sob financiamento da Simons Foundation.
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