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Nobel de Química vai para Henri Kagan e Kenso Soai por estudos sobre a estrutura das moléculas

O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai receberam nesta quarta-feira (7) o Prêmio Nobel de Química de 2026 por descobertas sobre os efeitos não lineares e a autocatalise na síntese orgânica assimétrica, avanços fundamentais para compreender por que determinadas moléculas aparecem na natureza em apenas uma de suas duas formas. A descoberta é fundamental para o desenvolvimento de medicamentos.

7 out 2026 - 09h51
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Resumo
O Nobel de Química de 2026 foi concedido ao francês Henri Kagan e ao japonês Kenso Soai por suas pesquisas fundamentais sobre a quiralidade molecular e a catálise assimétrica. Os cientistas descobriram mecanismos que permitem controlar moléculas espelhadas com propriedades biológicas distintas, avanço essencial para a indústria farmacêutica no desenvolvimento de medicamentos seguros. Os laureados dividirão 12 milhões de coroas suecas em cerimônia oficial agendada para dezembro em Estocolmo.

"Suas descobertas tiveram um papel determinante para os químicos que desenvolvem reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos", afirmou o comitê do Nobel.

Henri Kagan e Kenso Soai recebem o Prêmio Nobel de Química de 2026 durante uma coletiva de imprensa na Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia, em 7 de outubro de 2026.
Henri Kagan e Kenso Soai recebem o Prêmio Nobel de Química de 2026 durante uma coletiva de imprensa na Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia, em 7 de outubro de 2026.
Foto: via REUTERS - Fredrik Sandberg/TT / RFI

O prêmio reconhece trabalhos relacionados à catálise assimétrica, área que já havia sido contemplada pelo Nobel de Química em 2001. Kagan, no entanto, não recebeu o prêmio naquela ocasião, apesar de ser considerado na França e internacionalmente como um dos "pais" dessa técnica. A decisão havia provocado protestos do Ministério francês da Pesquisa.

Aos 95 anos, Henri Kagan é atualmente professor emérito da Universidade Paris-Saclay. A Academia Nobel informou que não conseguiu entrar em contato com ele para comunicar a premiação.

Kenso Soai, de 76 anos, é professor da Universidade de Ciências de Tóquio. Ele estava fazendo compras perto de casa quando recebeu a notícia. "É o dia mais incrível da minha vida", afirmou, em entrevista por telefone à Fundação Nobel.

"Penso que nosso prêmio deve levar as pessoas a reconhecer a importância da quiralidade das moléculas. Estou particularmente feliz por isso", acrescentou.

Moléculas com formas de "mão direita" e "mão esquerda"

O trabalho premiado trata de um fenômeno fundamental da química: algumas moléculas existem em duas formas que são imagens espelhadas uma da outra.

Assim como as mãos direita e esquerda, essas moléculas, chamadas quirais, possuem estruturas que se assemelham, mas não podem ser perfeitamente sobrepostas. O termo quiralidade vem do grego e significa "mão".

As duas formas podem apresentar propriedades físicas idênticas, mas propriedades biológicas muito diferentes. A compreensão e o controle desse fenômeno são particularmente importantes para a química farmacêutica, já que moléculas com a mesma composição podem produzir efeitos biológicos distintos dependendo de sua configuração.

O Nobel deste ano reconhece especificamente a descoberta dos efeitos não lineares e da autocatalise na síntese orgânica assimétrica, segundo a Academia Real Sueca de Ciências.

Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, destacou que o prêmio trata de "química fundamental" e explicou que muitas moléculas existem em duas formas diferentes, como imagens espelhadas.

Terceiro Nobel científico anunciado

O Nobel de Química é o terceiro dos prêmios científicos anunciados nesta temporada, depois dos prêmios de Medicina, na segunda-feira, e de Física, na terça-feira.

Os cinco prêmios Nobel originais foram criados de acordo com o testamento de Alfred Nobel, químico, inventor e industrial sueco cuja fortuna veio, entre outras atividades, da invenção da dinamite. Os prêmios são concedidos desde 1901, com algumas interrupções, principalmente durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

O prêmio de Economia foi criado posteriormente, em 1968, pelo banco central sueco, o Riksbank.

Embora às vezes fique em segundo plano diante dos laureados de Física, Literatura e Paz, o Nobel de Química já reconheceu descobertas que tiveram grande impacto científico, incluindo a fissão nuclear e técnicas de sequenciamento genético.

No ano passado, o prêmio foi concedido ao japonês Susumu Kitagawa, ao britânico Richard Robson e ao jordaniano Omar M. Yaghi por seus trabalhos sobre o desenvolvimento de estruturas metalorgânicas.

Nobel será entregue em dezembro

Os laureados de 2026 receberão oficialmente os prêmios das mãos do rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, em uma cerimônia em Estocolmo, em 10 de dezembro, data do aniversário da morte de Alfred Nobel. A cerimônia será seguida por um banquete na prefeitura de Estocolmo.

O prêmio é acompanhado de um cheque de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a quase R$ 6 milhões, valor que é dividido entre os laureados quando há mais de um vencedor.

Depois da Química, serão anunciados nesta semana os prêmios Nobel de Literatura, na quinta-feira, e da Paz, na sexta-feira. O Nobel de Economia encerrará a temporada na segunda-feira.

com agências

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