Medo da inteligência artificial piora conduta de funcionários, revela estudo
Pesquisa da revista Occupational Health Science aponta que desengajamento moral e atalhos éticos crescem em segmentos com maior exposição à automação
Estudo da Washington State University revela que o medo de substituição pela inteligência artificial leva funcionários a comportamentos contraproducentes, como negligência e desrespeito, especialmente em setores com maior exposição à automação.
O medo de perder o emprego para a inteligência artificial está transformando o comportamento de funcionários, levando-os a adotar práticas contraproducentes no ambiente corporativo. Uma nova pesquisa da Washington State University indica que o receio da obsolescência profissional aumenta a propensão a comportamentos como atrasos, negligência e desrespeito aos colegas.
O estudo, que analisou 18 setores, mostra que a insegurança sobre o futuro da carreira é o principal motor dessa mudança negativa. A pesquisa científica foi divulgada na revista acadêmica Occupational Health Science no dia 9 de setembro.
Para medir a vulnerabilidade das funções ao deslocamento tecnológico, os pesquisadores utilizaram o banco de dados do índice de Exposição da Indústria à IA (AI Industry Exposure index). Os ramos de finanças e seguros apresentaram os índices mais expressivos de exposição à disrupção tecnológica, enquanto as atividades de agricultura e silvicultura registraram os menores patamares do levantamento.
O que explica a mudança ética dos profissionais?
A percepção de vulnerabilidade induz o trabalhador a relativizar condutas incorretas no cotidiano da firma. Segundo Tahira M. Probst, professora de psicologia na WSU Vancouver e autora principal da análise, o desengajamento moral funciona como uma forma de justificar ações inadequadas frente às normas estabelecidas.
"Sabemos o que é certo e errado. Sabemos o que as políticas organizacionais dizem que podemos ou não fazer. O desengajamento moral é uma maneira de reformular esse comportamento como algo aceitável", afirmou Probst, citando atitudes como navegar na internet durante o expediente ou desrespeitar horários de turno.
Por que o impacto difere de demissões convencionais?
A extinção de uma função inteira por automação elimina as chances de recolocação na mesma área. Probst destacou que um atendente de bar demitido pelo fechamento de um estabelecimento pode exercer a mesma atividade em outro local comercial, ao passo que funções como a de transcritor médico correm o risco de desaparecer completamente pela codificação digital autônoma.
As perdas institucionais afetam diretamente o resultado operacional das empresas. De acordo com a autora, "se você não aparece, isso sobrecarrega seus colegas de trabalho. Se você faz coisas que impactam sua capacidade ou a capacidade de seus colegas de realizar o trabalho corretamente, ou se você está desperdiçando recursos organizacionais, há um grande potencial de dano a uma organização, não apenas para o resultado financeiro, mas para o funcionamento efetivo da organização."
A investigação teve coautoria de Rebecca Lindgren e apoio de pesquisadores da Itália e da Bélgica.
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