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Lipedema: saiba mais sobre a doença confundida com obesidade e celulite

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, que afeta principalmente mulheres e é caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e braços. A patologia, apesar de comum, ainda é pouco diagnosticada e costuma ser confundida com obesidade ou celulite. A falta de tratamento adequado prolonga o sofrimento das pacientes.

9 jun 2026 - 08h03
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Taíssa Stivanin, da RFI em Paris

Segundo a cirurgiã vascular Nathassia Domingues, uma das principais características do Lipedema é o padrão desigual de distribuição da gordura. A parte superior do corpo pode permanecer relativamente fina, mas pernas e quadris apresentam aumento de volume resistente a dietas e exercícios físicos.

"É uma alteração que muitas mulheres já tinham, mas não sabiam que era um problema, e ele acabava sendo perpetuado. Trata-se de uma doença crônica e inflamatória, caracterizada pelo acúmulo de gordura, principalmente nas pernas, de forma desproporcional", explica Nathassia Domingues.

"É uma gordura doente, inflamatória. Geralmente, são mulheres que acabam sendo rotuladas, com coxas e quadris mais largos e cintura mais fina. Muitas descrevem essa desproporção como a sensação de serem uma pessoa da cintura para cima e outra da cintura para baixo", acrescenta.

Além do aspecto estético, a condição costuma provocar sintomas físicos, como dor, sensação de peso, inchaço, cansaço e sensibilidade ao toque. Hematomas espontâneos também são comuns. O diagnóstico é clínico e depende da avaliação de um profissional com experiência na doença. Ainda assim, há grande desconhecimento, inclusive entre médicos. "Há alguns exames que nos auxiliam, nos direcionam, mas não dá para fechar o diagnóstico de lipedema e sim para complementação de outros diagnósticos diferenciais.

De acordo com a cirurgiã vascular Nathassia Domingues, quem tem varizes pode e deve fazer exercícios
De acordo com a cirurgiã vascular Nathassia Domingues, quem tem varizes pode e deve fazer exercícios
Foto: RFI

Gravidez e menopausa podem ser gatilhos

A origem do lipedema envolve fatores genéticos e hormonais, e a estimativa é de que cerca de 12% das mulheres tenham a doença. A puberdade, a gravidez e a menopausa são descritas como possíveis gatilhos para o agravamento dos sintomas.

"Os gatilhos para a piora dos sintomas geralmente estão ligados às fases da vida da mulher em que há oscilação hormonal. Isso acontece na menarca, na primeira menstruação, durante a gravidez, na menopausa ou em tratamentos com influência hormonal", explica a cirurgiã vascular.

O quadro pode estar associado a outras condições, como varizes, que estão presentes em cerca de metade das pacientes, embora nem sempre haja comprometimento vascular. O tratamento visa controlar a doença e melhorar a qualidade de vida, adotando uma alimentação equilibrada, com restrição de alimentos considerados inflamatórios — como glúten, açúcar, álcool, ultraprocessados.

Atividade física ajuda a combater sintomas

A prática de atividade física também é recomendada, especialmente exercícios de baixo impacto, como hidroginástica, natação e caminhada na água. "O tratamento não envolve uma única solução específica. Muitas mulheres chegam buscando, por exemplo, a lipoaspiração, dizendo: 'tire essa gordura, porque a dor incomoda muito e limita a qualidade de vida'", explica a cirurgiã.

"É importante entender que se trata de uma doença sem cura. Muitas pacientes são acompanhadas de forma conservadora, ou seja, com tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia. Inclusive, hoje, muitos cirurgiões plásticos também concordam com essa abordagem, destacando a importância de desinflamar essa gordura", explica.

A fisioterapia, com técnicas específicas de drenagem linfática, pode contribuir para aliviar sintomas. O uso de meias ou leggins de compressão entre outras terapias também ajuda a controlar o desconforto e a dor. A utilização de canetas emagrecedoras é alvo de estudos, mas ainda sem indicação formal para o lipedema.

A falta de informação também abre espaço para tratamentos alternativos, com promessas de resultados rápidos. A especialista alerta para a importância de acompanhamento médico e pede cautela com soluções "milagrosas" divulgadas nas redes. A cirurgiã reitera que existem muitas soluções médicas que ajudam a minimizar o desconforto. "As pacientes descrevem o diagnóstico e tratamento como 'libertador'", resume a especialista.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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