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Google fecha maior acordo de remoção de carbono da sua história em projeto no Brasil

16 set 2026 - 10h19
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Resumo
O Google firmou seu maior acordo de remoção de carbono da história ao apoiar um projeto da Terradot no Rio Grande do Sul. Cobrindo mais de 200 mil hectares de arrozais, a iniciativa pioneira combina intemperismo acelerado de rochas para absorver CO₂ e redução de emissões de metano. A meta é gerar 1 milhão de toneladas em créditos de metano até 2030 e outro milhão de carbono até 2040, servindo como modelo de menor custo para compensar emissões corporativas e impulsionar metas climáticas globais.

O Google fechou seu maior acordo de remoção ‌de carbono até hoje, apoiando um projeto da Terradot no Brasil que busca reduzir as emissões de metano do cultivo de arroz e capturar dióxido de carbono da atmosfera, disseram executivos à Reuters.

Abrangendo mais de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul, o projeto é o maior de intemperismo acelerado de rochas já realizado e tem como objetivo acelerar um processo natural pelo ⁠qual determinadas rochas absorvem CO₂ da atmosfera.

A iniciativa, que o Google espera que sirva de modelo para ‌futuros projetos, é a primeira nessa escala a combinar abatimento de metano e remoção de carbono, afirmou Randy Spock, diretor de remoção de carbono da empresa de tecnologia norte-americana.

Combater as emissões de ‌metano, um gás de efeito estufa considerado um "superpoluente" por aquecer ‌a atmosfera mais rapidamente que o dióxido de carbono, ajuda a desacelerar o aquecimento ⁠global. Ainda assim, a remoção de CO₂ segue necessária para lidar com séculos de emissões acumuladas.

"Precisamos fazer as duas coisas. Não temos o luxo de concentrar todos os nossos recursos apenas no combate aos superpoluentes de curta duração, nem de dedicar todos os nossos recursos exclusivamente à expansão da remoção de carbono de longo prazo", disse Spock.

O projeto deverá gerar 1 milhão de toneladas métricas de ‌créditos de abatimento de metano até 2030 e 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de ‌carbono até 2040, produzidos e ⁠verificados separadamente. A parte ⁠de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior do que projetos anteriores de intemperismo acelerado de rochas.

Os ⁠arrozais irrigados respondem por 10% a 12% das emissões ‌globais de metano, segundo uma ‌avaliação de 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A aceleração das medidas para reduzir o metano deve ser um dos temas centrais da COP31, que será realizada na Turquia ainda este ano.

CUSTOS MAIS BAIXOS

As grandes empresas de tecnologia enfrentam pressão para ampliar ⁠investimentos em energia limpa e remoção de carbono, a fim de compensar as emissões dos centros de dados impulsionados pela inteligência artificial. O Google é investidor da Terradot desde 2024, quando adquiriu participação na empresa.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirmou que a remoção de carbono será necessária para atingir as metas climáticas globais, embora críticos argumentem ‌que essa estratégia pode permitir que empresas continuem poluindo no presente.

As empresas disseram que o modelo poderá ser expandido futuramente para os 1,5 milhão de hectares de arrozais do Brasil e ⁠replicado em outras regiões produtoras de arroz, como Índia e Vietnã.

A Terradot planeja lançar projetos-piloto em vários países em 2026, com expansão comercial prevista para 2028.

Google e Terradot não divulgaram o preço dos créditos. Um acordo divulgado em 2024 para a compra de 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot indicava um preço de cerca de US$300 por tonelada, bem acima do patamar de US$100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessário para estimular uma demanda mais ampla.

O CEO da Terradot, James Kanoff, afirmou que o novo projeto será mais barato do que os acordos anteriores e, embora ainda não tenha atingido US$100 por tonelada, representa "um grande passo nessa direção".

A Terradot afirmou que, como a verificação pode adicionar mais de US$100 por tonelada aos custos do intemperismo acelerado de rochas, permitir que a remoção de carbono se acumule por mais tempo antes da verificação por terceiros ajudará a reduzir esses custos no novo projeto.

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