Galos podem se reconhecer no espelho, diz estudo
Aves reagem de forma diferente quando observam seu reflexo e quando encaram uma galinha
Os galos reagem de maneira diferente quando estão perante uma galinha ou encarando seu próprio reflexo, segundo estudo. Isto pode significar que as aves conseguem reconhecer-se em um espelho, um teste fundamental de autoconsciência nos animais.
Desenvolvido em 1970, o tradicional teste de autorreconhecimento no espelho funciona com pesquisadores colocando uma marca no corpo de um animal em um local que ele só poderia ver refletido em um espelho.
Eles observam se o animal inspeciona ou toca a marca enquanto examina seu reflexo, sugerindo que ele entende que o reflexo representa seu próprio corpo.
Das poucas espécies animais que já passaram neste teste, incluem-se os golfinhos e os elefantes. Nos últimos anos, alguns investigadores afirmaram que outras espécies, como pinguins, cavalos e raias-manta, também passaram no teste.
A pesquisadora Sonja Hillemacher, da Universidade de Bona, na Alemanha, e os seus colegas questionaram se o motivo de os resultados deste teste serem frequentemente variáveis tem menos a ver com o fato de os animais não se reconhecerem, e mais a ver com o fato de haver pouca motivação natural para muitos animais investigarem as marcas.
Estudo com galos
Para averiguar esta hipótese, os pesquisadores recorreram aos galos, que alertam ruidosamente outras galinhas sobre a presença de predadores próximos, mas geralmente ficam quietos quando estão sozinhos.
No laboratório, os pesquisadores testaram 68 galos, um por um, em uma arena dividida ao meio por uma tela de arame. Eles colocaram um pássaro de um lado e deixaram o outro lado vazio — ou colocaram outro galo nele.
Em seguida, eles colocaram um espelho na divisória. Para imitar uma ameaça, projetaram a silhueta de um falcão no teto acima da arena.
Os investigadores descobriram que quando um galo estava emparelhado com outro galo, ele dava o alarme com muito mais frequência do que quando estava sozinho na arena, independentemente de poder ver o seu próprio reflexo.
Ter outro galo presente, mas bloqueado por trás de um espelho, gerou igualmente poucos alarmes, sugerindo que os galos distinguem entre o reflexo e a realidade através da visão, não do cheiro ou do som.
Como os pássaros agiam de forma semelhante quando estavam sozinhos e com reflexo, eles podem perceber que seu reflexo é deles mesmos, disseram os pesquisadores no estudo.
Isto indicaria que o auto-reconhecimento possivelmente é mais prevalente em todo o reino animal do que se pensava anteriormente, disse Sonja Hillemacher ao New Scientist.
Já Nathan Emery, da Universidade Queen Mary de Londres, acredita que o teste de marca tradicional não é apropriado para testar o autorreconhecimento em não-macacos, já que a maioria dos outros animais não têm mãos disponíveis para investigar facilmente os seus próprios corpos.
“No final das contas, os animais estão fazendo o que sempre fazem. Temos que ser espertos para encontrar os paradigmas certos que revelem as competências que já possuem”, Emery ao New Scientist. Ele não esteve envolvido no estudo.
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