Funcionário da Amazon morre em armazém e colegas se revoltam por não serem avisados
Após o incidente, os empregados continuaram trabalhando normalmente sem saber da morte do colega
Nos EUA, um funcionário da Amazon morreu em um armazém da varejista e seus colegas mantiveram o expediente de trabalho por não terem sido avisados pela empresa - a ação gerou revolta entre os trabalhadores.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o homem de 61 anos morreu após sofrer um ataque cardíaco em um armazém no Estado do Colorado, nos EUA. De acordo com a reportagem, uma barreira improvisada de caixas de papelão teria sido feita em torno do homem e os demais funcionários permaneceram trabalhando normalmente. A administração da empresa só teria entrado em contato com os funcionários sobre a situação uma semana depois do ocorrido, no dia 4.
O incidente teria ocorrido pouco tempo antes de uma troca de turnos e, quando os funcionários do turno seguinte chegaram para trabalhar, não foram avisados sobre o que havia acontecido. Para o The Guardian, um funcionário disse que quando chegou para trabalhar, viu policiais e caminhões de bombeiros no depósito, mas que nenhuma informação foi passada - apenas mais tarde os colegas foram notificados: "Instantaneamente, fiquei chateado porque estávamos trabalhando como sempre e havia um ser humano morto na área de saída".
Outro empregado do turno diurno da Amazon disse ao jornal: "Ninguém deveria ter sido instruído a trabalhar ao lado de um cadáver. O turno diurno chega às 7h ou 7h30, e não fomos informados até chegarmos ao local onde ocorreu. Nenhum aviso antes de entrar no prédio. Nenhum conselheiro no local. Simplesmente foi entregue um folheto dias depois nos informando sobre como receber aconselhamento de saúde mental".
Depois de uma semana da morte do funcionário, no último dia 4, a Amazon falou sobre o ocorrido em uma reunião, mas os empregados não ficaram contentes com a manifestação da empresa e criticaram a falta de protocolos em casos como esse e a falta de transparência com os demais funcionários.
Em resposta ao ocorrido, a Amazon negou que uma barreira teria sido feita para isolar a área, mas explicou que os gerentes do armazém ficaram nos arredores para que ninguém se aproximasse do falecido enquanto os socorristas aguardavam a chegada de um médico legista. A empresa não comentou sobre os protocolos em situações como essa.
Nos últimos anos, a Amazon registrou diversas mortes em suas instalações. Em 2022, por exemplo, quatro mortes foram relatadas em escritórios nos EUA. O incidente lembra o que aconteceu no Brasil em 2020, quando um funcionário do supermercado Carrefour em Recife morreu em serviço e o corpo foi coberto por guarda-sóis no meio da loja, enquanto clientes e funcionários continuaram circulando e exercendo suas atividades normalmente.