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Ex-funcionário do Twitter é condenado por espionar usuários

Antigo colaborador do Twitter foi preso em 2019 acusado de usar sistemas da rede para rastrear críticos da Arábia Saudita; sentença é de três anos e meio

19 dez 2022 - 16h37
(atualizado às 19h34)
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Um ex-funcionário do Twitter foi condenado a três anos e meio de prisão por ter usado os sistemas internos da rede social para espionar dissidentes e críticos ao governo da Arábia Saudita. A sentença foi publicada na última semana pela Justiça dos Estados Unidos sob acusações de espionagem, fraude fiscal, lavagem de dinheiro, conspiração e falsificação de documentos.

Foto: Montagem: Caio Carvalho/Canaltech / Canaltech

Ahmad Abouammo, de 45 anos, passou quase dois anos, entre 2013 e 2015, trabalhando para o Twitter como gerente de parcerias de mídia para a região do Oriente Médio e norte da África. A partir de 2014, ele passou a receber pagamentos do governo da Arábia Saudita para repassar informações pessoais de usuários contrários ao regime, incluindo as de uma pessoa "influente" e crítica à família real do país.

Entre viagens ao Líbano e encontros com representantes do governo árabe em Londres, no Reino Unido, o ex-funcionário também teria recebido US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, além de um relógio de luxo com valor estimado em US$ 42 mil, ou aproximadamente R$ 223 mil em conversão direta. Os depósitos foram feitos em uma conta no nome do pai de Abouammo, enquanto o presente foi dado em um encontro presencial com um representante da família real saudita, e posteriormente vendido.

De acordo com uma investigação do FBI, o dinheiro foi lavado em pequenas transferências realizadas para contas em bancos dos Estados Unidos. Em 2018, o acusado chegou a ser intimado a depor pelas autoridades do país e mentiu sobre os pagamentos, chegando a falsificar documentos para ocultar a origem dos valores recebidos, um fator que também pesou sobre sua condenação e o levou à prisão no ano seguinte, na cidade norte-americana de Seattle.

Ainda, segundo o Departamento de Justiça, Abouammo não cumpriu normas federais que obrigam indivíduos que trabalham para governos estrangeiros a informarem o caráter dessas associações ao Departamento de Defesa dos EUA. Após ser considerado culpado em agosto deste ano, ele recebeu a sentença na última quarta-feira (14), com o juiz responsável pelo caso apontando a gravidade de seus atos, que podem ter levado a ameaças contra os dissidentes cuja privacidade foi invadida.

Além dos três anos e meio de prisão, o indivíduo foi condenado a mais três anos de liberdade condicional, após o cumprimento da pena para a qual deve se apresentar no dia 31 de março. Abouammo também foi condenado a devolver US$ 242 mil, relativos aos valores recebidos do governo saudita durante o período em que passou as informações a eles.

Após deixar o Twitter, ele trabalhou para a Amazon durante três anos e, hoje, é consultor de uma empresa de marketing digital, além de cofundador de uma startup focada em redes sociais.

Um segundo indivíduo, Ali Alzabarah, também é acusado de repassar informações internas de usuários do Twitter para a Arábia Saudita. Ele, entretanto, fugiu dos EUA em 2015 e segue como procurado pelo FBI para depor sobre o caso, que veio à tona após declarações do ex-chefe de segurança da rede social, Peiter Zatko, sobre as relações da plataforma com governos estrangeiros e a possibilidade de espionagem interna contra membros proeminentes da comunidade.

Fonte: Departamento de Justiça dos EUA

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