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Estudo identifica uso de substâncias psicoativas por humanos há 25 mil anos

Análise em dentes fósseis na Indonésia recua histórico do consumo da noz de bétele para o Pleistoceno Tardio

10 set 2026 - 16h22
(atualizado às 16h25)
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Resumo
Estudo revela que humanos já consumiam a noz de bétele, uma substância psicoativa, há 25 mil anos na Indonésia, desafiando a ideia de que o uso desse tipo de substância surgiu apenas em sociedades agrárias.

O uso de substâncias psicoativas pela humanidade é muito mais antigo do que se imaginava, remontando a 25.000 anos atrás. Uma nova pesquisa publicada na Science Advances revelou que caçadores-coletores na Indonésia já consumiam a noz de bétele, um estimulante ainda popular hoje, muito antes do surgimento da agricultura.

Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

A descoberta desafia a teoria de que o consumo de substâncias alteradoras da mente começou apenas com as primeiras sociedades agrárias. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Griffith University, sob liderança do professor Adam Brumm, em cooperação com a Universidade de Hasanuddin e a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (BRIN).

Os achados superam estimativas anteriores que situavam os primeiros registros do estimulante no período Neolítico ou na Idade do Bronze, por volta de 3.500 anos atrás, além de antecederem a produção de bebidas fermentadas de cevada datadas de 13.000 anos em Israel.

A semente da palmeira Areca catechu representa o quarto estimulante mais consumido globalmente na atualidade, atrás do álcool, da cafeína e da nicotina. Seu consumo moderno envolve a mastigação junto com cal extinta derivada de conchas queimadas, mistura que acelera a liberação de compostos na corrente sanguínea para gerar euforia e estado de alerta em centenas de milhões de usuários na região da Ásia-Pacífico.

Como os cientistas identificaram o hábito nos fósseis?

A equipe analisou restos esqueléticos de dois antigos forrageadores encontrados na ilha de Sulawesi. O indivíduo mais antigo viveu entre 25.000 e 16.000 anos atrás, enquanto o segundo data de 7.600 a 6.300 anos antes do presente, ambos apresentando sulcos dentários arredondados característicos da sucção contínua do fruto inteiro.

Análises bioquímicas coordenadas pela professora associada Carney Matheson confirmaram a presença do alcaloide neuroativo arecolina incrustado nos tecidos dentários antigos. Experimentos complementares com saliva artificial e receptores humanos expressos em laboratório comprovaram que a sucção direta libera as moléculas ativas mesmo sem a adição de cal.

Quais eram os impactos na saúde dos antigos caçadores?

O efeito analgésico natural da arecolina pode ter motivado o consumo inicial para conter dores orais, gerando um ciclo prejudicial ao organismo. O atrito mecânico constante com a casca abrasiva causava o desgaste severo da estrutura dental dos caçadores-coletores.

Com o tempo prolongado de uso habitual, a câmara pulpar interna dos dentes ficava exposta, o que desencadeava infecções crônicas, dor intensa e severa doença periodontal nos indivíduos analisados.

TerrAI Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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