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Em 2050, Terra terá quase 10 bilhões de pessoas; como se preparar?

Segundo estimativa recente divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo terá 9,7 bilhões de habitantes em 2050

22 jul 2022 - 05h00
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Quase 10 bilhões de pessoas no planeta Terra ainda nesse século. Essa é a previsão da ONU no relatório Perspectivas da População Mundial 2022, em 11 de julho. O estudo aponta que a população global será de 8 bilhões de habitantes já em 15 de novembro deste ano, 8,5 bilhões em 2030 e 9,7 bilhões em 2050. Mas será que estamos preparados?

A população mundial deve continuar crescendo em ritmo cada vez menor até atingir o pico de 10,4 bilhões em 2086. A partir desta data, vai começar a diminuir lentamente e, provavelmente, chegará em 2100 com 10,3 bilhões de habitantes. Uma diferença em relação às projeções anteriores, que estimavam mais de 11 bilhões de habitantes no mundo em 2100.

“De qualquer forma, a população global vai acrescentar mais de dois bilhões de pessoas em um mundo que já superou a capacidade de carga da Terra e vive uma crise climática e ambiental”, alerta José Eustáquio, doutor em demografia, pesquisador aposentado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e professor do curso Master em Tecnologia da Yssy Academy.

Atualmente, questões ambientais, políticas, econômicas e sociais já emitem alertas para o mundo todo e isso deve continuar. Ondas letais de calor, acidificação do solo e das águas também serão ameaças à vida de outras espécies e à capacidade de produção de alimentos, podendo deixar várias regiões do planeta inabitáveis.

“Se a situação atual já não é tranquila para bilhões de pessoas que possuem baixo nível de renda e parcos direitos de cidadania, podemos imaginar que o futuro será ainda mais difícil com o aumento da população e o agravamento da emergência ecológica”, afirma o demógrafo.

Foto: Pixabay

Desenvolvimento sustentável

Ao contrário do estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a pobreza e a desigualdade aumentaram nos últimos anos. Segundo relatório de 2022 sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, lançado pela ONU, o número de famintos no mundo subiu para 828 milhões em 2021, uma alta de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o início da pandemia de covid-19.

Além disso, o Índice do Preço dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) bateu recorde de alta dos últimos 100 anos no primeiro semestre de 2022, chegando a 140,7 pontos em fevereiro, 5,3 pontos acima do valor de janeiro.

“É claro que combater as injustiças sociais e melhorar a distribuição de recursos é uma forma de minorar o sofrimento de grande parcela da população. Mas isto só não basta”, afirma Eustáquio. Investimentos no combate à poluição, na restauração ecológica e na universalização do saneamento básico, incluindo água, esgoto e coleta de lixo, são essenciais.

Segundo o demógrafo, o mundo precisa abandonar a matriz energética baseada nos combustíveis fósseis e avançar na produção de energias renováveis, além de acelerar a transição dos automóveis de combustão interna para os elétricos.

Outra necessidade é mudar os padrões de produção e consumo. “Com um maior número de habitantes, se tem uma maior necessidade de consumo, que é agravada pelo modelo atual de produção, o que só aumenta a pressão sobre o meio ambiente”, diz Bruno Yamanaka, engenheiro ambiental e especialista de conteúdos do Instituto Akatu.

Para os especialistas, é urgente retirar menos matérias-primas da natureza, o que levaria a reduzir o uso de recursos, a emissão de gases poluentes, a geração de resíduos e a degradação de ecossistemas.

Consumo consciente

Um dos maiores desafios do futuro sustentável é o surgimento de um novo consumidor, que use e valorize produtos e serviços que sigam critérios de sustentabilidade. “É preciso desenvolver uma consciência quanto aos impactos do consumo sobre a sua própria vida, a sociedade, a economia e o meio ambiente”, explica Yamanaka.

Buscar informações sobre empresas e produtos, escolher e acompanhar representantes políticos, analisar comportamentos cotidianos e buscar hábitos mais sustentáveis são algumas maneiras de se preparar para o futuro.

Nesse sentido, as empresas podem fomentar condições de trabalho justas e contribuir para o desenvolvimento de comunidades locais e nativas. “[As empresas podem] oferecer informações verdadeiras e claras sobre seus processos e produtos e incentivar uma cadeia de valor mais sustentável, através de seus fornecedores”, explica o engenheiro.

Já os governos precisam continuar ofertando serviços universais e gratuitos, como:

  • Abastecimento de água, coleta de resíduos e tratamento de esgoto;
  • Promoção de políticas públicas de redistribuição de renda;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Preservação de ecossistemas;
  • Promoção da geração de energia limpa;
  • Investimento em pesquisa e tecnologia;
  • Mais mobilidade urbana;
  • Incentivo a práticas corporativas mais sustentáveis;
  • Inserção de temas de sustentabilidade na agenda governamental.

Desigualdade social no Brasil e no mundo

No aspecto humano, mesmo o aumento de renda per capita pode ser insuficiente para acabar com a pobreza e fome e garantir o acesso a serviços básicos. O relatório da ONU aponta que os países com maiores taxas de crescimento demográfico são os que têm maior percentual de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

“A alta proporção de crianças canaliza os recursos nacionais que poderiam ir para os investimentos em infraestrutura, educação e ciência e tecnologia”, afirma José Eustáquio.

Em muitos países da África Subsaariana, a população deve dobrar entre 2022 e 2050. Por outro lado, o pesquisador cita a China como exemplo de sucesso na redução da pobreza. Nas reformas de Deng Xiaoping, no final dos anos 70, o país aumentou as taxas de poupança e investimento e promoveu alto crescimento econômico com baixo crescimento demográfico, embora com alto custo ambiental.

Já o Brasil atualmente tem 215 milhões de habitantes e deve continuar crescendo até atingir o pico de 231 milhões em 2046. Em seguida, vai enfrentar um período contínuo de decrescimento até atingir 184,6 milhões de habitantes em 2100. “O fim do crescimento e o início da redução populacional podem ser uma boa contribuição para a redução da pobreza e a melhoria das condições ambientais”, opina Eustáquio.

Por outro lado, poderemos ver mais idosos do mundo, que pode trazer aspectos positivos ou negativos, dependendo de como a sociedade e políticas públicas vão lidar com a nova realidade. “Idosos sem direitos, sem acesso ao sistema produtivo, e sem poder para manifestar suas habilidades poderão ser um peso que as gerações mais jovens não consigam lidar”, explica.

Fonte: Redação Byte
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