Cientistas criam dispositivo para coletar resíduos de mosquitos e rastrear vírus
Estrutura impressa em 3D dispensa a trituração de insetos e identifica patógenos como o vírus do Nilo Ocidental
Cientistas da Universidade Rutgers criaram um dispositivo impresso em 3D que coleta resíduos de mosquitos para análise genética, permitindo identificar patógenos como o vírus do Nilo Ocidental de forma mais eficaz e menos invasiva.
Cientistas da Universidade Rutgers criaram um dispositivo simples, semelhante a um funil super-hidrofóbico, capaz de coletar resíduos de mosquitos para análise genética. A tecnologia, descrita como um "banheiro para mosquitos", dispensa a necessidade de triturar os insetos para identificar patógenos presentes em uma região. O método promete facilitar a vigilância de doenças ao capturar vestígios genéticos de vírus e parasitas de forma menos invasiva e mais eficaz.
A pesquisa publicada no periódico Microbiology Spectrum foi liderada pela entomologista Dana Price, professora associada do Center for Vector Biology da Rutgers University. O equipamento consiste em uma peça impressa em 3D com revestimento repelente a água, fazendo com que as gotas excretadas pelos insetos escorram diretamente para um tubo receptor.
No procedimento tradicional, equipes de saúde pública precisam recolher grandes quantidades de mosquitos, separá-los por espécie, congelá-los para evitar a degradação do material biológico e macerá-los. Essa rotina consome tempo durante surtos e restringe os testes aos patógenos previamente selecionados pelos laboratórios.
Como a análise genética é realizada?
Os pesquisadores utilizam o sequenciamento metagenômico shotgun para mapear todo o material genético presente nas gotas. Softwares computacionais reúnem milhões de fragmentos e comparam as sequências com bancos de dados biológicos.
A aplicação da técnica em amostras coletadas em 2021 e 2022 identificou o genoma completo do vírus do Nilo Ocidental pertencente à linhagem NY07, que causa complicações neurológicas em humanos. O experimento de laboratório avaliou 100 mosquitos do grupo Culex pipiens alimentados com solução de açúcar.
Quais novos microrganismos foram detectados?
A análise revelou a presença de um vírus semelhante ao Hedwig, registrado pela primeira vez no continente americano. O agente havia sido documentado apenas na Europa em tecidos de corujas-das-neves.
O estudo também registrou vestígios de parasitas unicelulares da classe dos tripanossomatídeos, além de sequências compatíveis com partitivírus e picornavírus que infectam insetos. Representantes da Divisão de Peixes e Vida Selvagem do Departamento de Proteção Ambiental de Nova Jersey colaboram na análise de tecidos de aves para verificar a extensão desses microrganismos.
Quais são os próximos passos da aplicação em campo?
A equipe desenvolve armadilhas autônomas capazes de capturar os insetos e seus resíduos diretamente em ambientes silvestres. O grupo multidisciplinar conta com a participação de Mehdi Javanmard, Taewon Han, Nicole Wagner, Miranda Barnes e Fiona Bezhani.
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