Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Ciência

Publicidade

Quem foi Nancy Grace Roman, que dá nome ao novo telescópio espacial da NASA

A astrônoma foi a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na Nasa e ganhou o apelido de 'mãe do Hubble'; defendeu a participação de mulheres na ciência até sua morte, em 2018, aos 93 anos

1 set 2026 - 12h42
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O novo telescópio da Nasa homenageia Nancy Grace Roman, astrônoma pioneira que revolucionou o estudo da Via Láctea. Primeira mulher em cargo executivo na agência espacial, ela liderou o setor de astronomia e foi peça-chave no desenvolvimento de telescópios espaciais, sendo reconhecida como a "mãe do Hubble". Mesmo enfrentando a desigualdade de gênero na ciência, Nancy superou barreiras históricas e defendeu ativamente a maior participação feminina na pesquisa até sua morte, em 2018.

O telescópio espacial Roman, lançado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa, na sigla em inglês) no último domingo, 30, foi batizado em homenagem à cientista americana Nancy Grace Roman.

Segundo a plataforma The Conversation, que reúne notícias e análises baseadas em pesquisa, Nancy nasceu em Nashville, no Estado do Tennessee, nos Estados Unidos, em 1925. Sua mãe era professora de música e seu pai era matemático e físico.

Em 1946, Nancy se formou em astronomia pelo Swarthmore College, na Pensilvânia. Ela era doutora pela Universidade de Chicago e concluiu seus estudos de pós-graduação no Observatório Yerkes, operado pela instituição, onde trabalhou no mapeamento dos movimentos das estrelas.

Em suas primeiras pesquisas, Nancy comparou a maneira como as estrelas se moviam no céu com sua composição, o que levou à descoberta de que havia diferentes populações de estrelas dentro da Via Láctea.

Nancy também descobriu que a quantidade de elementos "pesados" - que, na astronomia, se refere àqueles mais pesados que o hélio - presentes nessas estrelas estava relacionada à velocidade e à direção com que elas se afastavam de nós.

De acordo com o The Conversation, isso permitiu criar um modelo matemático para reconstituir como as estrelas se formaram a partir da mesma nebulosa. Nancy descobriu que estrelas de uma mesma região não tinham necessariamente a mesma idade, o que ajudou a revelar como a nossa galáxia é estruturada.

Naquela época, as observações eram feitas com base em placas fotográficas, o que tornava o processo mais demorado. Para identificar estrelas, Nancy usou um método chamado "excesso de UV", que ainda hoje ajuda a identificar diferentes tipos de estrelas.

Apesar de suas descobertas, Nancy era vítima de desigualdade salarial e estimou que ganhava no máximo 60% do que seus colegas recebiam como docentes no Observatório Yerkes.

Em uma entrevista em 2017, ela afirmou que chegou a levar o problema ao chefe do Departamento de Astronomia e Astrofísica, o físico e ganhador do Prêmio Nobel Subrahmanyan Chandrasekhar. Segundo ela, ele respondeu: "Não discriminamos mulheres. Simplesmente conseguimos contratá-las por menos."

"Eu imaginava que ele entenderia o que é discriminação", disse Nancy.

A situação contribuiu para que ela mudasse de emprego e fosse para o Laboratório de Pesquisa Naval, onde assumiu como chefe de espectroscopia de micro-ondas.

Em 1958, a Nasa foi criada e recrutou a maior parte dos cientistas do Laboratório de Pesquisa Naval. No ano seguinte, Nancy também foi para a nova agência, onde se tornou chefe de astronomia observacional. Em 1960, o cargo foi alterado para chefe de astronomia.

Ela se tornou a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na Nasa e era a responsável por decidir quais projetos de astrônomos receberiam ou não financiamento da agência. Nancy também supervisionou o desenvolvimento e o lançamento de alguns dos primeiros telescópios espaciais.

A astrônoma ainda ajudou a lançar o Observatório Aéreo Kuiper, que possibilitou estudar as estrelas em comprimentos de onda infravermelhos, e angariou apoio ao telescópio espacial Hubble, realizando palestras públicas e mobilizando astrônomos. Lançado em 1990, o Hubble fica fora da atmosfera da Terra e revolucionou a astronomia ao permitir observar o Universo com muito mais detalhe, ajudando a compreender estrelas, galáxias e sua expansão.

Devido aos seus esforços, Nancy foi apelidada de "mãe do Hubble" pelo então chefe científico da Nasa, Ed Weiler. Ela defendeu a participação de mulheres na ciência até sua morte, em 2018, aos 93 anos.

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra