Pequeno tecido cerebral criado em laboratório resolve um problema clássico usado para treinar IA
Estudo utilizou organoides corticais
Em um laboratório da University of California, Santa Cruz, cientistas conseguiram algo inusitado: usar tecido cerebral cultivado em laboratório para resolver um dos testes mais tradicionais da inteligência artificial. O estudo, publicado na Cell Reports, utilizou organoides corticais — pequenas esferas de tecido neural desenvolvidas a partir de células-tronco de camundongos. Embora não sejam capazes de pensar, esses aglomerados formam conexões elétricas funcionais e respondem a estímulos externos.
Os pesquisadores conectaram os organoides a um ambiente virtual baseado no "cartpole", problema clássico de controle e aprendizado por reforço. Nele, é preciso manter um poste equilibrado sobre um carrinho em movimento, exigindo ajustes rápidos e precisos.
Resolvendo problemas usados com a IA
Quando os cientistas aplicaram estímulos elétricos adaptativos — ajustados de acordo com o desempenho anterior — os organoides conseguiram melhorar significativamente o controle do sistema, alcançando desempenho eficiente em 46% dos testes. O resultado foi mais de dez vezes superior ao de tecidos que não receberam feedback estruturado.
No entanto, não houve memória duradoura: após cerca de 45 minutos sem atividade, o desempenho voltava ao nível inicial.
Segundo a equipe, o objetivo não é substituir computadores por tecido biológico, mas compreender melhor como circuitos neurais se adaptam — um passo importante para pesquisas sobre doenças neurodegenerativas.
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