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Ciência

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Lagartas tóxicas viram problema de saúde pública na Alemanha

25 jun 2026 - 15h50
(atualizado às 15h58)
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Contato com pelos do inseto semelhante à taturana oblíqua do Brasil pode provocar reações alérgicas perigosas. Situação saiu de controle em um bairro de Berlim, com lagartas se espalhando pelas paredes de prédios.Parece uma lagarta inofensiva. Mas não é. O contato com os pelos do inseto pode provocar uma reação alérgica na pele, e em alguns casos, desencadear até mesmo uma conjuntivite, problemas respiratórios ou, nos piores casos, um choque anafilático.

Infestações da processionária-do-carvalho têm sido cada vez mais frequentes na Alemanha; temperaturas amenas favorecem inseto
Infestações da processionária-do-carvalho têm sido cada vez mais frequentes na Alemanha; temperaturas amenas favorecem inseto
Foto: DW / Deutsche Welle

Comumente encontrada nas florestas de carvalho em regiões de clima mediterrâneo, a Thaumetopoea processionea - também conhecida como processionária-do-carvalho - vem ganhando terreno na Alemanha, e neste ano virou assunto frequente na imprensa do país por causa das infestações cada vez mais numerosas do inseto.

Quem cede ao impulso de coçar a pele depois de entrar contato com o bicho que contém uma toxina irritante só piora a situação: os pelos têm anzóis microscópicos que penetram ainda mais fundo na pele, junto com a toxina.

O risco à saúde pública é considerado tão sério que a presença das lagartas já leva ao fechamento temporário de instalações esportivas, parques e até escolas na Alemanha.

Além de ameaçarem humanos e animais de estimação, os bichos também são considerados um problema por devorarem árvores inteiras.

Combatê-las requer profissionais especializados e roupas de proteção, dado o alto risco de intoxicação - o que, para aflição das prefeituras, significa gastos elevados.

"Na maioria das vezes, os ninhos das lagartas são aspirados, às vezes queimados", explicou Norbert Geisthof, do órgão de administração de florestas da Renânia do Norte-Vestfália, ao portal alemão Tagesschau. "É preciso se proteger da forma correta, idealmente com uma roupa dupla de proteção, quando você remove esses ninhos de lagarta."

Em Berlim, as autoridades já haviam relatado no início de junho um aumento das infestações e pediram socorro financeiro, alegando ter chegado ao limite de seus próprios recursos para combater as lagartas, informou o portal RBB.

Em um dos bairros da capital alemã, Jungfernheide, a situação saiu de controle, com as lagartas se espalhando até mesmo pelas paredes dos prédios, carros e bicicletas.

Em algumas áreas da vizinha Brandemburgo, helicópteros chegaram a ser mobilizados para lidar com a infestação.

Risco à saúde

A Thaumetopoea processionea é um tipo de mariposa noturna. Na fase adulta, ela é de fato inofensiva.

O nome processionária-do-carvalho tem a ver com a preferência das lagartas por carvalhos, e também com a forma como se locomovem em grupos com até 10 metros de extensão e 30 indivíduos lado a lado ao longo de troncos e galhos.

O ciclo de vida do inseto começa na primavera, com a brotação dos carvalhos, onde eles fazem seus ninhos. Esses ninhos, contendo até 200 ovos por fêmea, podem se estender por vários metros ao longo do tronco da árvore.

As lagartas, totalmente desenvolvidas entre o fim de maio e o início de julho, produzem milhares de finíssimos pelos urticantes, capazes de provocar erupções cutâneas que podem durar semanas. O contato com os pelos também pode fazer com que as pessoas se sintam tontas ou febris e sofram com dificuldades respiratórias — que podem levar a ataques de asma em casos extremos. Animais domésticos que entrarem em contato com as toxinas correm risco de morte.

Os pelos se espalham com o vento, mesmo a grandes distâncias das árvores infestadas. Só depois de passado esse estágio da lagarta é que elas começam a formar o casulo que as levará à fase adulta.

Ainda assim, depois disso sobram os muitos pelos deixados para trás em ninhos nas árvores, que mesmo vazios ainda podem representar risco à saúde por anos.

A lagarta é semelhante à extremamente tóxica taturana oblíqua encontrada no Brasil.

Um mapa do serviço meteorológico alemão que monitora os insetos mostra que o perigo aumentou visivelmente em junho.

Temperaturas mais amenas favorecem reprodução das lagartas

Especialistas atribuem a onipresença das lagartas às temperaturas elevadas, com invernos mais amenos e verões mais quentes.

"Ainda somos cautelosos em dizer que é por causa das mudanças climáticas", afirmou ao portal Tagesschau Dominik Wonsack, do FVA, órgão estatal de pesquisa florestal de Baden-Württemberg. "Precisaríamos de mais dados. Mas é claro que é bastante evidente que esses anos quentes e secos simplesmente favorecem essa espécie."

No sul da Europa, predadores naturais e fatores ambientais mantêm a população desses insetos sob controle.

Na Alemanha, organizações de proteção ambiental defendem que o combate às lagartas seja feito sem pesticidas — também para proteger abelhas e outros insetos. A cidade de Trier, por exemplo, tem feito experimentos com pássaros predadores.

ra (kna, ots)

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