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Mudanças climáticas podem causar perda de milhares de meteoritos

Novo estudo alerta que os milhares de meteoritos no gelo da Antártida podem ser perdidos, porque as mudanças climáticas estão fazendo com que afundem

9 abr 2024 - 14h00
(atualizado às 16h57)
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Milhares de meteoritos estão ameaçados pelas mudanças climáticas. Estes pedacinhos de rochas espaciais estão mergulhados no gelo da Antártida, mas um novo estudo de pesquisadores da Suíça e da Bélgica alerta que, a cada 0,1 ºC de aumento na temperatura do ar em todo o mundo, cerca de nove mil meteoritos afundam no gelo. Aliás, eles suspeitam que 5 mil meteoritos já estão afundando todos os anos. 

Foto: Katherine Joy, The University of Manchester / Canaltech

Com uma inteligência artificial, dados de satélites e modelos climáticos, os pesquisadores calculam que até 2050, o derretimento do gelo na Antártida deve levar ao desaparecimento de cerca de 25% dos 300 mil a 800 mil meteoritos ali. No fim do século, o número deve subir para 75%.

O que acontece é que, como os meteoritos são escuros, eles se aquecem junto do gelo que os cerca. Conforme o calor é transferido do meteorito para o gelo, este é aquecido e acaba derretendo no local, fazendo com que as rochas espaciais ali afundem. É aí que está o problema: quando os meteoritos afundam a ponto de chegar aos lençóis congelados, não podem mais ser detectados. Portanto, é como se estivessem perdidos para a ciência.

O mais preocupante é que a Antártida foi bombardeada por meteoritos durante milhões de anos. Aproximadamente 1% do continente é coberto pelas chamadas áreas de gelo azul, que são consideradas os melhores lugares para procurar meteoritos: ali, existem rochas espaciais que podem ter passado milhares de anos no gelo, mas podem sair dele com a ação do vento e da luz solar

No vídeo abaixo, você confere a descoberta de um grande meteorito em uma área de gelo azul:

Quase 50 mil meteoritos de tamanhos diversos já foram encontrados na Antártida — um deles, inclusive, contém partículas que indicam uma explosão cósmica incomum. Analisar estes objetos pode ajudar os pesquisadores a descobrir novas pistas sobre a origem e evolução do Sistema Solar, principalmente porque o gelo ajuda a conservá-los. 

"Precisamos acelerar e intensificar os esforços para recuperar os meteoritos da Antártida. A perda de meteoritos da Antártida é muito parecida com a perda de dados que os cientistas obtêm de núcleos de gelo coletados de geleiras que desaparecem — uma vez que eles desaparecem, o mesmo acontece com alguns dos segredos do universo", alertou Harry Zekollari. coautor do estudo.

O artigo que descreve as descobertas foi publicado na revista Nature Climate Change.

Fonte: Nature Climate Change; Via: ETZ

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