Erupção do Vesúvio ajuda cientistas a aprimorar métodos de datações vulcânicas
Estudo teve participação de especialistas da Universidade de Pádua, na Itália
Com base na data exata da erupção do Vesúvio em 79 d.C., cientistas dos EUA e da Itália aprimoraram o método de datação argônio-argônio, tornando-o duas vezes mais preciso. O avanço, publicado na Science Advances, permitiu também recalibrar as técnicas de carbono-14 e urânio-chumbo. Essa padronização matemática unifica os métodos geológicos e oferece maior exatidão para investigar eventos cruciais da história da Terra, como extinções em massa causadas pelo impacto de meteoritos.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, com a colaboração de cientistas italianos, apontou que a erupção do Vesúvio, que destruiu Pompeia e Herculano há quase dois mil anos, permitiu "zerar os ponteiros" dos métodos usados para medir a história cronológica da Terra.
Ao determinar a data precisa do evento histórico (24 de agosto de 79 d.C.), os especialistas conseguiram recalibrar os principais métodos de datação científica empregados para determinar quando ocorreram eventos geológicos do passado e calcular a idade de rochas que remontam às origens do planeta.
O avanço foi alcançado por uma equipe de pesquisa liderada pelo Centro de Geocronologia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, com a participação da Universidade de Pádua, na Itália. O estudo foi publicado na renomada revista Science Advances.
Ao analisar oito amostras de minerais vulcânicos do Vesúvio, os pesquisadores aprimoraram o método de datação por argônio-argônio. Essa técnica baseia-se no tempo necessário para que o isótopo potássio-40 presente nas rochas se transforme em argônio-40 , elemento normalmente ausente antes de uma erupção.
A idade real dos minerais analisados era de 1.946 anos, tornando a nova estimativa duas vezes mais precisa do que o método tradicional, que consistia em colocar a amostra em um reator nuclear para ser irradiada com nêutrons.
Com base nesse avanço, os autores do estudo também recalibraram a datação por carbono-14 , usada para calcular a idade de materiais orgânicos como a madeira, e o método de datação por urânio-chumbo, empregado na medição de rochas e minerais extremamente antigos.
"Esperamos poder unificar ao máximo os vários métodos de datação geológica usando a mesma matemática e a mesma abordagem. O estudo mostra que é possível alcançar esse nível de precisão e exatidão, extremamente úteis, no âmbito histórico. Isso nos permite inferir com mais precisão a causalidade entre eventos no registro geológico, por exemplo, uma estrutura de impacto de meteorito e uma extinção em massa", destacou Paul Renne, um dos líderes da pesquisa. .
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