Calor extremo mata mais de 200 na Espanha em quatro dias
Termômetros no país chegaram a bater marca de 45ºC nos últimos dias. Em 2025, Ministério da Saúde espanhol atribuiu 3,8 mil mortes ao calor.Mais de 200 pessoas morreram na Espanha em apenas quatro dias da primeira onda de calor extremo do verão europeu, segundo estimativas publicados nesta quinta-feira (25/06).
O cálculo é do sistema de vigilância de mortalidade da Universidade Carlos 3º, em Madri, que registrou 212 mortes a mais que a média esperada entre domingo e quarta-feira, atribuindo-as a temperaturas excepcionalmente altas, de pouco mais de 45ºC.
O pior dia foi a quarta-feira, com 95 mortes em excesso atribuídas ao calor. Na terça-feira, o número foi de 66; na segunda, 38; no domingo, 13.
A Espanha registra todos os anos milhares de mortes oficialmente atribuídas às altas temperaturas. Em 2025, o Ministério da Saúde contabilizou 3.832 mortes relacionadas ao calor entre 16 de maio e 30 de setembro.
A atual onda de calor, que atinge grandes partes da Europa desde o fim de semana, terminou na Espanha nesta quinta-feira, informou o serviço meteorológico AEMET.
A terça e a quarta-feira estiveram entre os dias mais quentes já registrados no país para esta época do ano desde o início dos registros, em 1950, segundo a agência.
As regiões centrais e do norte do país foram as mais afetadas. A costa do Mediterrâneo, popular entre turistas, foi em grande parte poupada, assim como as Ilhas Baleares, incluindo a ilha de Mallorca.
Mortes em outros países
A Espanha não é o único país a ver as taxas de mortalidade subirem durante ondas de calor.
A França registrou nos últimos dias ao menos 48 mortes por afogamento e, nesta quinta-feira, confirmou a morte de uma terceira criança que ficou presa dentro de um automóvel em meio às altas temperaturas. O menino de três anos entrou dentro do carro para brincar e não conseguiu sair, por causa da trava de segurança nas portas.
Em Paris, o prefeito Emmanuel Gregoire disse ter observado uma "alta na mortalidade" em função da onda de calor.
Ao menos 101 milhões de pessoas na Europa devem ser expostas nesta quinta a temperaturas acima dos 35ºC. Na Alemanha, a expectativa é de que os termômetros passem dos 41ºC na sexta-feira e no sábado.
O chefe do clima da ONU, Simon Stiell, afirmou que a onda de calor — agravada por edifícios e infraestrutura inadequados para esse tipo de temperatura — "tem as marcas da crise climática por toda parte".
"É o preço mais recente a pagar pela poluição de combustíveis fósseis que está aquecendo o nosso planeta. Enquanto a humanidade não parar de queimar enormes quantidades de carvão, petróleo e gás, o calor extremo continuará piorando", acrescentou.
A vice-diretora do Serviço de Mudança Climática Copernicus da UE, Samantha Burgess, disse que o calor se deve a uma "cúpula de calor" composta por ar retido do norte da África em um sistema de alta pressão de baixa altitude, impedindo a entrada de ar mais frio.
"Embora as cúpulas de calor sejam um fenômeno meteorológico natural, a mudança climática causada pelo homem está tornando as ondas de calor mais severas e mais propensas a atingir temperaturas recordes", acrescentou.
ra (dpa, AFP, Reuters)
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