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Artemis 2: cápsula com astronautas pousa no mar após reentrada na Terra; o que acontece agora

O pouso no oceano Pacífico aconteceu às 21h07. Missão durou nove dias e levou quatro astronautas a orbitar a Lua após mais de 50 anos.

10 abr 2026 - 19h48
(atualizado às 22h33)
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Cápsula no mar
Cápsula no mar
Foto: NASA via Reuters / BBC News Brasil

Após uma missão de nove dias em órbita da Lua, a cápsula Orion completou com sucesso o retorno à Terra e pousou às 21h07 desta sexta-feira (10/4) no oceano Pacífico, na costa de San Diego, nos Estados Unidos.

Depois de passar pela fase mais crítica da reentrada na atmosfera — que incluiu um período previsto de cerca de seis minutos de interrupção nas comunicações — a nave desacelerou com a ajuda dos paraquedas e atingiu o mar de forma controlada, a 32 km/h.

O retorno foi classificado pela Nasa como "um pouso perfeito".

"Estamos de volta à ativa, enviando astronautas à Lua", declarou o chefe da Nasa, Jared Isaacman. "Este é apenas o começo."

A bordo da missão Artemis 2 estavam Reid Wiseman, Jeremy Hansen, Victor Glover e Christina Koch, que realizaram uma viagem histórica em órbita lunar, mais de 50 anos após as últimas missões tripuladas ao satélite natural da Terra.

"Que jornada!", exclamou Reid Wiseman, comandante da missão, após o pouso da tripulação na água.

Equipes de resgate da Marinha dos EUA já estão no local realizando os procedimentos de recuperação da cápsula. Um protocolo rigoroso está em vigor, já que a Orion ainda permanece quente após a reentrada e pode liberar gases.

Por isso, a retirada da tripulação está sendo feita de forma controlada, com mergulhadores avaliando as condições do ar e da água, além do acompanhamento de uma equipe médica.

Quando tudo estiver certo, a balsa inflável de desembarque será lançada, permitindo que a tripulação saia da espaçonave.

Dois helicópteros da Marinha estarão à espera do grupo, com dois astronautas a serem transportados em cada um.

Paraquedas no mar
Paraquedas no mar
Foto: NASA / BBC News Brasil

A reentrada na atmosfera e o pouso no mar envolviam riscos elevados, com a cápsula Orion enfrentando temperaturas de até 2.760°C — cerca de metade da temperatura da superfície do Sol.

Esse momento era tratado com cautela pela Nasa, especialmente após a missão Artemis 1, quando danos inesperados no escudo térmico geraram uma investigação que atrasou a missão atual em mais de um ano.

Mas tudo ocorreu conforme o planejado.

A cápsula se separou do módulo de serviço pouco depois das 20h30, colocando os quatro astronautas oficialmente na trajetória de retorno à Terra.

Na sequência, a Orion entrou na atmosfera a cerca de 120 mil metros de altitude e a aproximadamente 38 mil km/h, momento em que perdeu temporariamente o contato com o centro de controle devido ao "blackout" de comunicações.

Durante cerca de seis minutos, os controladores da missão em Houston não tiveram qualquer contato com a tripulação, acompanhando a descida apenas por modelos e cálculos.

O sinal foi recuperado posteriormente e a sequência de pouso pôde prosseguir. O compartimento frontal foi então descartado e os paraquedas de frenagem foram acionados, reduzindo a velocidade da cápsula antes da abertura dos três paraquedas principais, que garantiram a descida final até o oceano Pacífico.

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu boas-vindas aos tripulantes da missão, e fez um convite que os astronautas visitem a Casa Branca.

"Parabéns à incrível e talentosa tripulação da Artemis II. Toda a viagem foi espetacular, o pouso foi perfeito e, como presidente dos Estados Unidos, não poderia estar mais orgulhoso! Espero vê-los em breve na Casa Branca. Faremos isso de novo e, depois, o próximo passo: Marte!"

A missão ocorre em um momento politicamente sensível para Trump, e o resultado bem-sucedido pode fortalecer sua posição interna, em meio a divisões no país. Além disso, o avanço no programa Artemis reforça a disputa estratégica com a China na exploração lunar, vista como uma nova fronteira de influência, tecnologia e possíveis recursos.

Cápsula Orion se separa do seu módulo de serviço e se prepara para a reentrada na Terra
Cápsula Orion se separa do seu módulo de serviço e se prepara para a reentrada na Terra
Foto: NASA via Reuters / BBC News Brasil

Missão histórica

A missão Artemis 2 teve início em 1º de abril, quando o foguete foi lançado do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.

Diferentemente de missões anteriores, a Orion não teve como objetivo pousar na Lua, mas realizar um sobrevoo do lado oculto do satélite — um lado que nunca é visível da Terra.

Embora satélites já tenham registrado o lado oculto anteriormente, esta foi a primeira vez que humanos observaram essas partes da superfície lunar, com vastas crateras e planícies de lava.

Durante a missão, a Orion também bateu recorde de maior distância já percorrida por humanos no espaço.

No dia 6 de abril, a espaçonave atingiu 406.771 km da Terra durante a passagem próxima à Lua, superando os 400 mil km alcançados pela missão Apollo 13 em 1970.

A missão Artemis 2 da Nasa passou por todos os testes importantes desde o seu lançamento, no dia 1° de abril. O desempenho do foguete, da espaçonave e da tripulação foi melhor que os engenheiros imaginavam.

A viagem também serviu como um teste decisivo do sistema Orion com humanos a bordo — algo impossível de validar apenas por simulações.

Christina Koch, Jeremy Hansen, Victor Glover e Reid Wiseman passaram 10 dias em uma missão à órbita lunar
Christina Koch, Jeremy Hansen, Victor Glover e Reid Wiseman passaram 10 dias em uma missão à órbita lunar
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
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