MotoGO da Motorola integra Google mas não roda Android
O MotoGO parece Android, tem cara de smartphone, vem com diversos serviços do Google integrados, mas não é Android. Qual a estratégia da Motorola para lançar um aparelho que parece, mas não é? Na definição oficial da fabricante, é um "webfone".
As configurações do MotoGO são básicas: processador de 650 MHz teclado QWERTY, câmera de 2 megapixels, 2 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD), tocador de MP3/rádio FM, Bluetooth, 3G e Wi-Fi. Por não rodar Android, o que me surpreende no MotoGO é o fato de ele ter uma tecla dedicada para buscas no Google, acesso ao Gmail, YouTube e Google+, sincronia de dados com a nuvem do Google e até mesmo Google Maps integrado.
O lado interessante dessa proposta do MotoGo é que ele seria algo como um celular "canivete suíço", ou seja, na hora da compra você já sabe o que ele pode fazer com ele e tenta tirar o máximo proveito disso. O que também chama a atenção nesse MotoGO é que ele tira proveito de aplicativos web populares com Google, Gmail, YouTube, etc. (o que era de se esperar já que o Google agora é dona da Motorola Mobility), facilitando assim a interação do usuário com o aparelho.
Fora isso, há um palpite de que esse sistema operacional pode ser um dialeto de Linux - talvez até um descendente direto dos Razr V8 ou o A 1200 -, o que pode ter facilitado a adaptação dessas apps com cara de Android para o MotoGO. O navegador do aparelho é o Opera Mobile e, diz a Motorola, o MotoGO vem ainda com clientes de Facebook, Orkut e Twitter instalados - roda apps em Java também no sistema operacional proprietário. Pelos recursos de software (principalmente), me deu a impressão de que a Motorola tenta reeditar o sucesso do Moto Q11 - que tinha como grande diferencial o Windows Live Messenger instalado.
Mas, Motorola, pra que lançar um featurephone em um novo mundo que todos querem smartphones e aplicativos?
Edson Bortolli, diretor de Produtos Móveis da Motorola Mobility, explica que o MotoGO se encaixa em uma linha de produtos que a fabricante chama de "webfones". São aparelhos que vão além do featurephone básico (aquele que só faz e recebe ligações) e que estão presentes no nosso mercado desde o MotoCubo. O executivo comenta que, apesar do interesse em smartphones, alguns consumidores ainda encontram barreiras de entrada (não conhecer funções, por exemplo), e um "webfone" é a porta de entrada para esse comprador, que depois vai seguir para um smartphone.
A Motorola não comenta lançamentos futuros, mas a conversa com Bortolli deu a indicar que o MotoGO deve ter uma versão com dois chips em um futuro próximo, seguindo o que já ocorre com outros aparelhos da fabricante (como o Defy Mini, por exemplo).
O preço sugerido do MotoGO desbloqueado é de R$ 329, e o aparelho chega às lojas ainda neste mês.