Anthropic e OpenEvidence firmam parceria para IA médica
A Anthropic e a OpenEvidence firmaram uma parceria para disponibilizar gratuitamente ferramentas de diagnóstico baseadas em inteligência artificial para médicos em cerca de 100 países de baixa e média renda. A iniciativa adapta pesquisas e diretrizes clínicas revisadas por pares à infraestrutura local de saúde, buscando democratizar o conhecimento técnico e suprir a escassez de especialistas e literatura médica no atendimento aos pacientes dessas regiões.
A companhia de inteligência artificial Anthropic e a plataforma de conhecimento médico OpenEvidence anunciaram nesta semana parceria na área de ferramentas de diagnóstico baseado em IA.
A OpenEvidence tem recursos que respondem às perguntas dos médicos com base em pesquisas médicas revisadas por pares e diretrizes de tratamento. A plataforma é gratuita para profissionais da área médica nos Estados Unidos e no Canadá.
A nova iniciativa trata-se de uma versão especializada disponível gratuitamente para profissionais de saúde em dezenas de países de baixa e média rendas, onde o acesso limitado à literatura médica, à expertise de especialistas e à educação médica continuada pode prejudicar o atendimento a pacientes.
Sistemas de saúde em todo o mundo estão analisando se a IA generativa pode ajudar a lidar com a escassez de médicos e especialistas. Os defensores argumentam que as ferramentas de IA podem ajudar os profissionais da área médica a navegar rapidamente por vastas quantidades de informações médicas, enquanto os críticos alertam que sistemas treinados principalmente com dados de países de alta renda podem não refletir as condições locais de prática.
A iniciativa está sendo implementada em cerca de 100 países, incluindo Uganda, Angola, Sudão, Haiti e Mongólia, de acordo com uma lista fornecida pela OpenEvidence.
"O acesso ao conhecimento médico não deveria depender da localização geográfica", afirmou Daniel Nadler, fundador da OpenEvidence.
A Reuters noticiou na semana passada que a Anthropic montou um laboratório para realizar trabalhos de biologia, à medida que leva adiante suas ambições em inteligência artificial na área de ciência farmacêutica e enquanto o medo sobre o alcance da IA toma conta do público, com alguns executivos e políticos pedindo uma desaceleração no desenvolvimento.
Anthropic e OpenEvidence não divulgaram os termos financeiros da parceria.
DIFERENÇAS REGIONAIS
Só em agosto, médicos dos EUA consultaram a OpenEvidence 42 milhões de vezes, segundo Nadler. Em 2026, várias centenas de milhões de norte-americanos terão sido tratados por um médico que utilizou a OpenEvidence para orientar o tratamento, disse ele.
A tecnologia da Anthropic fornecerá suporte, enquanto a OpenEvidence adapta o sistema às diferentes regiões, levando em conta a infraestrutura de saúde, informaram as empresas.
No início deste ano, a OpenEvidence informou que estava trabalhando com organizações de saúde em Ruanda e Botsuana para adaptar suas ferramentas a contextos em que os padrões de doenças, os recursos de diagnóstico e os tratamentos disponíveis diferem significativamente daqueles em países mais ricos.
"Cem por cento do que estamos desenvolvendo para esses locais é adaptável ao contexto", disse Nadler.
Mesmo onde as unidades médicas não têm eletricidade 24 horas por dia, a maioria dos médicos possui smartphones, disse ele, o que significa acesso a informações médicas de qualidade que, há uma década, só estariam disponíveis em instituições de ponta.
Ahmed Bendary, cardiologista da Universidade de Benha, no Egito, disse que ampliar esse acesso para além dos Estados Unidos e da Europa "será um enorme salto à frente, especialmente em regiões onde as assinaturas institucionais das principais revistas médicas são limitadas, tornando as ferramentas baseadas em evidências e de uso no local de atendimento ainda mais vitais".
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