Amoreira pode remodelar bactérias intestinais e regular metabolismo, aponta estudo
Revisão científica analisa ação de folhas e frutos na produção de ácidos graxos e no equilíbrio metabólico
Estudo da Universidade Médica de Wroclaw aponta que compostos bioativos da amoreira podem remodelar o microbioma intestinal, regulando o metabolismo e auxiliando no controle de condições metabólicas, com resultados promissores em modelos animais.
A amoreira, planta tradicionalmente utilizada na medicina popular, pode ser uma nova aliada no controle do metabolismo através da modulação das bactérias intestinais. Pesquisadores da Universidade Médica de Wroclaw descobriram que compostos presentes nas folhas e frutos da planta interagem diretamente com o microbioma, abrindo caminho para novas estratégias dietéticas.
É o que mostra uma reportagem publicada no site SicenceDaily, nesta quarta-feira, 30. O estudo destaca que a eficácia dos efeitos da amoreira depende de variáveis como a espécie da planta e as técnicas de processamento utilizadas.
Anna Prescha, professora do departamento de Dietética e Bromatologia da universidade, falou sobre a atuação das substâncias ativas no organismo. "A microbiota intestinal não apenas contribui para o funcionamento do trato gastrointestinal, mas também pode influenciar o metabolismo em todo o corpo. A amoreira é particularmente interessante nesse aspecto porque contém inúmeros compostos bioativos, incluindo polifenóis e polissacarídeos, que podem interagir com os microrganismos intestinais".
As análises concentram-se na amoreira-branca (Morus alba) e na amoreira-preta (Morus nigra). Enquanto as folhas concentram 1-desoxinojirimicina (DNJ), composto relacionado à quebra de carboidratos, os frutos reúnem altas taxas de antocianinas e fenólicos que auxiliam no estímulo a bactérias benéficas e na geração de ácidos graxos como acetato, propionato e butirato.
Como o processamento e a combinação de compostos afetam os resultados?
Técnicas de secagem, fermentação e extração aquosa ou com pectato liase alteram o peso molecular dos polissacarídeos e seu potencial prebiótico. A estrutura química final determina quais microrganismos conseguem utilizar a planta como substrato energético.
Em experimentos com camundongos submetidos a dieta rica em gordura, a junção de polifenóis e polissacarídeos da amoreira-branca produziu melhorias na síndrome metabólica superiores ao uso isolado de cada fração. O transplante da microbiota desses animais tratados para outros roedores também transferiu a atenuação das alterações metabólicas e lipídicas.
Anna Prescha ressalta a importância das formulações combinadas: "Essas descobertas sugerem que o que importa não é apenas a presença de um composto individual, mas também a composição complexa do preparado, as proporções de seus compostos e suas interações. Portanto, em vez de procurar um único produto universal, vale a pena determinar qual combinação de espécie, parte da planta, composição e método de processamento produz um efeito biológico específico".
Quais são os próximos passos da pesquisa científica?
A validação definitiva dos efeitos fisiológicos depende da realização de ensaios clínicos em humanos com produtos botânicos padronizados. Até o momento, as evidências científicas estão restritas a modelos animais e testes in vitro.
O estudo interdisciplinar teve origem no Grupo de Pesquisa Estudantil Nutri-Sfera da universidade polonesa, sob proposta inicial de Marta Miszczak e Karolina Kłosowska-Buryło.
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