A novecentos quilômetros da Noruega ficam ilhas onde a Rússia quer testar Artigo 5 da OTAN
Uma invasão aberta do território norueguês criaria uma situação muito mais clara
O arquipélago de Svalbard, sob soberania da Noruega a 900 km do continente, vive sob tensão devido à presença da Rússia na cidade mineradora de Barentsburg. Regido por um tratado de 1920 que proíbe fins militares mas garante direitos econômicos a outros países, o território gera apreensão em Oslo. Desde a invasão da Ucrânia, autoridades temem que a Rússia use ações de provocação na chamada "zona cinzenta" para desafiar a estabilidade local e testar o Artigo 5 de defesa mútua da OTAN.
Por quase um século, Svalbard foi um dos lugares onde a Rússia e o Ocidente conseguiram coexistir, mesmo quando as relações se deterioraram em outros lugares. O arquipélago pertence à Noruega, fica a mais de 900 quilômetros do continente e um tratado internacional permite que cidadãos de outros países realizem certas atividades econômicas lá. A Rússia ainda conserva sua própria cidade, Barentsburg. Esse status excepcional, que por décadas ajudou a manter a calma, é justamente o que agora causa preocupação.
Pedaço da Noruega a 900 km de distância
Svalbard ocupa uma posição extraordinária no Ártico. O Tratado de 1920 reconhece a soberania norueguesa, mas concede aos signatários direitos econômicos e estipula que as ilhas não podem ser usadas para fins militares, nem abrigar bases navais ou fortificações.
A Rússia herdou uma presença soviética outrora enorme: durante a Guerra Fria, havia cerca de 2,4 mil cidadãos soviéticos em Spitsbergen, representando cerca de 70% de sua população. Hoje, essa presença se concentra principalmente em Barentsburg, uma antiga cidade mineradora administrada pela empresa estatal russa Trust Arktikugol.
Não há necessidade de invadir
As preocupações norueguesas não se concentram apenas no desembarque de soldados russos em Svalbard. Desde a invasão da Ucrânia, as autoridades e especialistas noruegueses têm apontado para uma série de atividades que consideram provocações na "zona cinzenta": atos com simbolismo militar, uma organização juvenil indiretamente ...
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