Diante da decisão do governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), de retirar a Polícia Militar dos arredores da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Exército reviu a estratégia de ocupação da propriedade. Hoje (17) pela manhã foram retirados 70 dos 290 soldados que vigiavam o local desde a semana passada. Os demais militares continuam em seus postos, apoiados por 30 agentes da Polícia Federal.Aproximadamente 350 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) permaneciam hoje acampados no povoado de Serra Bonita, a 14 quilômetros da fazenda. Uma assembléia marcada para o início da noite definiria os rumos do movimento na região. Sentinelas do Exército portando fuzis guardavam as duas entradas da propriedade. Pela manhã, agentes da PF também estavam na porteira principal.
Os soldados do Batalhão da Guarda Presidencial deixaram a Fazenda Córrego da Ponte por volta das 11 horas, em seis caminhões. A chegada e saída de um helicóptero na fazenda sugeriram a possibilidade de policiais federais estarem sendo substituídos. O deslocamento do Exército ocorreu 15 horas após a PM mineira ter começado a desativar seu acampamento, a 3,5 quilômetros da propriedade.
Pouco antes das 20 horas de sábado, o grupamento de policiais militares mineiro recebeu ordens para desmontar as 11 barracas, a rede elétrica recém-instalada, as antenas de comunicações e a estrutura de banheiros e chuveiros, que incluía um carro-pipa. Desde sexta-feira a PM ocupava parte de um terreno da empresa Ceval Alimentos e parecia disposta a permanecer no local. Prova disso é que chegou a cercar o acampamento com lona e a fincar postes para o hasteamento das bandeiras Nacional e de Minas. As bandeiras nunca foram hasteadas.
No sábado à tarde, a PM realizou caminhada de uma hora pela estrada que passa em frente à fazenda dos filhos de Fernando Henrique, para reconhecimento do terreno. O comandante do 28.o Batalhão, Robson Nogueira, circulou pela região numa caminhonete. Ele chefiava o grupamento instalado a 3,5 quilômetros da propriedade, onde havia soldados de Belo Horizonte, Unaí e Pato de Minas. Segundo ele, outro grupamento instalado em Buritis (a 63 quilômetros da fazenda) também foi desativado.
À tarde os policiais participaram de exercício de policiamento de choque, armados com cassetetes, escudos e capacetes, no pátio da Ceval Alimentos.
Policiais federais e soldados do Exército que permaneciam de prontidão na Fazenda Córrego da Ponte demonstraram insatisfação com a tarefa iniciada na semana passada. "Ninguém esperava ficar aqui tanto tempo", disse um deles. Policiais federais especializados em operações especiais consideravam um desperdício continuarem ali em vez de estarem combatendo o crime.
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