Mochilão na América do Sul: fiordes do Chile é viagem de busca interior

1500 km num cargueiro, de Puerto Natales a Puerto Montt [...]

20 jan 2026 - 08h13

Este conteúdo faz parte do projeto América do Sol, outras imagens da América do Sul, um registro clicado e escrito de um mochilão, entre a Patagônia e a Amazônia brasileira, em busca dos destinos sul-americanos menos conhecidos do público brasileiro, como os fiordes do Chile.

Por quase nove meses, André Lima e o jornalista Eduardo Vessoni estiveram em 84 cidades de 9 países do continente.

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Fiordes chilenos
Fiordes chilenos
Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

Fiordes do Chile

A geografia delgada do Chile é tão complexa como as teorias que tentam explicar os elementos da natureza.

Do fogo alto que vira fumaça entre as chaminés das terras frias da Carretera Austral ao amarelo árido do Atacama, a natureza parece ter exagerado na escolha dos tons desse país estreito que começa gelado, no sul do mundo, e vai aquecendo-se antes de chegar ao deserto mais seco do planeta.

O país tem a geografia mais isolada e inóspita de toda a Patagônia, onde é possível navegar pela 3ª maior extensão de gelos continentais do mundo, uma área de 21 mil km² que inclui atrativos como o Parque Nacional Laguna San Rafael e o glaciar Exploradores, nos Campos de Gelo Norte.

É nessa região que acontecem as impressionantes travessias dos fiordes chilenos, a bordo de navios cargueiros que cruzam canais estreitos, fiordes, glaciais e imensas montanhas nevadas, onde é possível ver, sem muito esforço, animais marinhos.

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No Chile, fomos reféns dos seus fiordes que, mais do que canais que repousam inertes sob altas montanhas rochosas, são as artérias vitais que alimentam aquelas terras distantes.

O planejado decidiu rebelar-se diante do cenário selvagem e o que deveriam ser apenas 30 dias de viagem por território chileno transformaram-se em dois meses entre geleiras, canais e outras novas imagens que o país reserva para os mais insistentes.

Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

Em Puerto Natales, embarcamos num navio cargueiro da empresa Navimag, daqueles tão imensos quanto a nossa expectativa, e singramos aquele labirinto patagônico, em direção a Puerto Montt, 1.500 km ao norte.

Sobre aquele senhor experiente, que há mais de 60 anos transporta passageiros e mercadorias a vilarejos escondidos, conhecemos Maria Inés, uma das guias responsáveis pelo entretenimento a bordo.

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Essa argentina, que largou o caos necessário de Buenos Aires para viver sobre o balanço de águas distantes, refaz aquele trajeto durante meses, antes de seguir para a Antártica. Para ela, o roteiro é uma viagem de busca.

A cada trecho percorrido, longo e silencioso, Inês procura uma resposta para alguma de suas inquietudes.

Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

Mesmo com essa busca intensa, a eterna passageira confessa que ainda não achou a sua resposta. E nem faz questão de encontrá-la.

Mas nós, com essas poucas palavras, seguimos viagem em busca das nossas próprias respostas sobre eles e sobre nós mesmos.

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