As hepatopatias são doenças que causam inflamação e disfunção no fígado, podendo se manifestar de forma aguda ou crônica, com duração superior a seis meses. Os tipos mais comuns são as hepatites virais B e C, hepatite alcoólica, medicamentosa e esteatose hepática, além das condições de causas autoimunes e genéticas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, foram confirmados mais de 826 mil casos de hepatites virais no Brasil. Nesse cenário, o grande risco para os pacientes é que, muitas vezes, o fígado sofre de maneira silenciosa e só apresenta sintomas quando a situação se torna grave, conforme explica a Dra. Mauren Machado, hepatologista da Casa de Saúde São José.
"Quando a doença hepática não é tratada, o risco para o desenvolvimento de fibrose hepática avançada, cirrose e câncer de fígado é maior. Os dois últimos podem levar à necessidade de um transplante. O Brasil é o segundo maior país do mundo em número de transplantes hepáticos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos", alerta a médica.
Musculação ajuda a proteger o fígado
Felizmente, existe uma prática importante para auxiliar na preservação da saúde do órgão: a musculação. Isso acontece porque os exercícios de resistência, ou seja, treinos com pesos, máquinas e o próprio peso corporal, auxiliam na queima de gordura acumulada nos hepatócitos, que são as principais células funcionais do fígado, reduzindo a esteatose.
Eles atuam também na melhora da sensibilidade à insulina, aumentando a captação de glicose pelos músculos e diminuindo a sobrecarga de açúcar no fígado, e na redução da inflamação por meio da diminuição das citocinas inflamatórias, o que auxilia no combate à evolução para a cirrose.
"Embora o exercício aeróbico seja muito eficiente para a perda de peso, a musculação é considerada mais viável para pacientes com baixa aptidão cardiorrespiratória. Além disso, é fundamental para o aumento da massa muscular, melhorando o metabolismo em geral. O ideal é combinar os dois, mas a musculação é essencial", orienta a Dra. Mauren Machado.
Sintomas que merecem atenção
No processo de diagnóstico das doenças hepáticas, apesar de o organismo agir de forma assintomática em muitos casos, o paciente deve ficar atento a alguns sintomas:
- Pele e olhos amarelados;
- Urina escura;
- Fezes claras;
- Ascite (acúmulo anormal de líquido na barriga).
Esses são alguns sinais que devem motivar uma consulta imediata, assim como qualquer alteração em exames de enzimas hepáticas e de imagem do fígado, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância.
Tratamento para hepatites
Segundo a Dra. Mauren Machado, o diagnóstico precoce de hepatites é importante porque evita a instalação da cirrose e interrompe a cadeia de transmissão do vírus. O tratamento começa com a identificação da causa da doença hepática.
Depois, o paciente é orientado a usar antivirais em caso de hepatites virais, imunossupressores para doenças autoimunes e outros tratamentos mais específicos de acordo com a razão da hepatopatia. Nesse processo, também é fundamental evitar álcool, drogas e automedicação e tratar causas metabólicas, como diabetes, obesidade e dislipidemia, principalmente em quadros de esteatose.
Cuidados essenciais para proteger o fígado
Além da prática de musculação, outros cuidados devem fazer parte da rotina para manter a saúde do fígado. "É essencial salientar que até mesmo os chás e ervas podem gerar uma hepatite grave. Por isso, evite o uso de anabolizantes e de medicamentos sem prescrição médica. Quando acontecer algum tipo de reação adversa a medicamentos prescritos, informe ao médico. Outro ponto importante para a prevenção é a vacinação contra as hepatites virais A e B, disponível no SUS (Sistema Único de Saúde)", orienta a médica da Casa de Saúde São José.
A adoção de um estilo de vida saudável ajuda a evitar o desenvolvimento de doenças hepáticas, preservando a saúde do fígado. Para isso, o indivíduo deve se exercitar regularmente, adotar uma dieta equilibrada com pouco açúcar, álcool e ultraprocessados e manter um peso adequado com uma boa quantidade de massa muscular.
Por Camila Parreira