O cérebro de uma pessoa surda consegue transformar o silêncio em visão?

1 out 2026 - 11h14
(atualizado às 11h14)
Resumo
Um estudo da Universidade de Coimbra revelou que o córtex auditivo de pessoas com surdez congênita não fica inativo, mas se reorganiza para processar estímulos visuais, principalmente ligados a espaço e movimento. Essa plasticidade cerebral mostra a capacidade de adaptação do sistema nervoso, auxiliando no aprimoramento de métodos de ensino, terapias de reabilitação e implantes cocleares, embora os ganhos na percepção visual variem individualmente conforme as experiências de cada pessoa.

01 de outubro de 2026 (Bibliomed). Estudo realizado na Universidade de Coimbra, em Portugal, buscou entender como o cérebro de pessoas nascidas com surdez se adapta à ausência da audição. Em especial, os autores investigaram o que acontece com o córtex auditivo, a região do cérebro normalmente responsável por processar os sons.

O cérebro de uma pessoa surda consegue transformar o silêncio em visão?
O cérebro de uma pessoa surda consegue transformar o silêncio em visão?
Foto: Peakstock/Evanto / Boa Saúde

Durante muito tempo, acreditava-se que, sem receber sons, o córtex auditivo ficava praticamente "sem função". No entanto, pesquisas mais recentes mostram que o cérebro é muito adaptável. Quando uma área deixa de receber um tipo de informação, ela pode passar a ajudar no processamento de outros sentidos. Esse fenômeno é chamado de plasticidade cerebral.

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Para o estudo, os pesquisadores utilizaram técnicas de imagem cerebral para observar a atividade do cérebro de pessoas com surdez congênita (presente desde o nascimento). Enquanto os participantes realizavam tarefas visuais, os pesquisadores analisaram quais regiões cerebrais eram ativadas.

O estudo mostrou que o córtex auditivo não permanece inativo. Em pessoas com surdez congênita, essa região passa a processar informações visuais de forma organizada. Em outras palavras, uma área do cérebro que normalmente interpreta sons pode ser "reaproveitada" para ajudar a interpretar aquilo que os olhos enxergam.

O estudo sugere que essa reorganização pode contribuir para um processamento visual mais eficiente em algumas tarefas, principalmente aquelas relacionadas à percepção do espaço e do movimento. No entanto, isso não significa que todas as pessoas surdas enxerguem melhor do que as ouvintes. Os benefícios podem variar entre os indivíduos e dependem de diversos fatores, como experiências de vida e aprendizagem.

Os autores explicam que entender como o cérebro se reorganiza ajuda os cientistas a compreender melhor a capacidade de adaptação do sistema nervoso, desenvolver estratégias de reabilitação mais eficazes, aperfeiçoar tecnologias como implantes cocleares e criar métodos de ensino adaptados às necessidades de pessoas com surdez. Também mostra que o cérebro continua sendo capaz de se reorganizar quando um sentido está ausente desde o nascimento.

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Fonte: Human Brain Mapping. DOI: 10.1002/hbm.70444.

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