Especialistas alertam na revista World Psychiatry que o histórico de transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia, deve ser avaliado antes do uso de canetas emagrecedoras. Como esses medicamentos inibem o apetite, podem agravar quadros de restrição alimentar severa, sendo contraindicados em fases ativas da doença. Embora não haja comprovação de que causem esses distúrbios, recomenda-se cautela médica prévia e monitoramento contínuo de sinais como perda de peso rápida e compulsões.
Quem pensa em usar uma caneta emagrecedora costuma prestar atenção ao peso, à dose e aos possíveis efeitos colaterais. Só que existe outra informação que pode fazer diferença antes de começar o tratamento: a sua relação com a comida.
Uma recomendação publicada recentemente na revista World Psychiatry chama atenção justamente para esse ponto.
Se você já teve anorexia, bulimia, compulsão alimentar ou períodos de restrição importante, isso deve ser levado para a consulta antes de começar o medicamento.
E não importa apenas o que está acontecendo agora. Mesmo um transtorno alimentar que ficou no passado pode ser uma informação importante na hora de decidir como o tratamento será feito.
Usar caneta emagrecedora com transtorno alimentar: por que isso importa
As canetas emagrecedoras reduzem o apetite. Esse é justamente um dos efeitos esperados por quem usa esses medicamentos para perder peso.
Mas, para quem já apresenta um problema na relação com a alimentação ou um histórico importante de restrição, reduzir ainda mais a fome pode dificultar que a pessoa mantenha uma alimentação adequada ou favorecer uma restrição maior. É por isso que esse histórico merece ser considerado antes de iniciar o tratamento.
A recomendação não afirma que as canetas emagrecedoras causem transtornos alimentares. Essa relação ainda não foi comprovada.
O que existe hoje são evidências limitadas sobre o uso desses medicamentos nesse contexto. Por isso, os especialistas defendem uma avaliação mais cuidadosa antes do tratamento e atenção a mudanças importantes na alimentação durante o uso.
Quando é preciso ter mais cuidado
A maior preocupação está nos casos em que o transtorno alimentar está ativo.
De modo geral, os especialistas recomendam evitar esses medicamentos em pessoas com anorexia nervosa e em casos de bulimia nervosa acompanhada de restrição alimentar importante ou perda significativa de peso.
Já ter enfrentado um transtorno alimentar no passado não significa automaticamente que uma caneta emagrecedora não possa ser usada.
O que importa é avaliar como está essa relação com a comida atualmente e quais são os possíveis riscos e benefícios do tratamento.
O que observar se você começar a usar
Depois de iniciar a caneta, vale prestar atenção também na forma como a alimentação está mudando.
Perder peso muito rápido, ficar praticamente sem fome, começar a restringir demais os alimentos ou voltar a ter episódios de compulsão são sinais que merecem ser comentados com o profissional que acompanha o tratamento.
Isso ajuda a perceber quando a redução esperada do apetite está acompanhada de uma mudança preocupante na alimentação.
Por isso, não é só o peso que importa. Fome, saciedade, alimentação e bem-estar psicológico também fazem parte do que precisa ser observado.
As pesquisas ainda são limitadas e não permitem afirmar que as canetas emagrecedoras provoquem transtornos alimentares.
As recomendações publicadas na revista World Psychiatry são baseadas no consenso de especialistas, e estudos maiores, com acompanhamento por mais tempo, ainda são necessários para esclarecer essa relação.
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