A melatonina se tornou uma das substâncias mais procuradas por quem enfrenta insônia ou dificuldade para dormir.
Com venda liberada no Brasil como suplemento alimentar sob regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o produto ganhou popularidade e passou a ser visto como solução rápida para noites mal dormidas.
Mas é importante entender: a melatonina não é vitamina. É um hormônio que interfere diretamente no ritmo biológico. Por isso, dose, horário e indicação fazem toda a diferença.
O que é melatonina e para que serve?
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal, no cérebro.
Sua principal função é regular o ciclo circadiano, conhecido como relógio biológico. É esse mecanismo que organiza os períodos de sono e vigília ao longo do dia.
A produção aumenta à noite, quando há redução da luz. Por isso, excesso de telas antes de dormir pode prejudicar sua liberação natural.
O suplemento de melatonina costuma ser indicado para:
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Insônia leve.
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Dificuldade para iniciar o sono.
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Jet lag.
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Alterações no ritmo do sono em trabalhadores noturnos.
Ela não induz o sono como um sedativo. O que faz é sinalizar ao organismo que é hora de dormir.
Qual é a dose segura de melatonina?
A dose de melatonina é uma das dúvidas mais comuns.
De forma geral, adultos costumam utilizar entre 0,5 mg e 5 mg por dia. Muitas pessoas já apresentam melhora com doses mais baixas, como 0,5 mg ou 1 mg.
Tomar doses maiores não significa dormir melhor.
O excesso pode causar:
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Sonolência diurna.
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Dor de cabeça.
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Tontura.
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Náusea.
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Queda de pressão.
A recomendação é iniciar sempre com a menor dose possível e ajustar apenas com orientação profissional.
Crianças podem usar melatonina?
O uso em crianças deve ser feito exclusivamente com orientação médica.
Em alguns casos específicos, como transtornos do neurodesenvolvimento, pode haver indicação. No entanto, não é recomendada para automedicação infantil.
Qual o melhor horário para tomar melatonina?
O horário da melatonina influencia diretamente na eficácia.
O ideal é tomar entre 30 e 60 minutos antes de deitar. Esse período permite que o hormônio atinja níveis adequados no organismo.
Tomar muito cedo pode provocar sonolência fora de hora. Tomar tarde demais pode reduzir o efeito.
Manter horários regulares de sono potencializa os resultados.
Quais são os efeitos colaterais da melatonina?
Embora seja considerada segura quando usada corretamente, a melatonina pode causar efeitos adversos.
Os mais relatados incluem:
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Sonolência excessiva durante o dia.
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Sonhos vívidos.
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Dor de cabeça.
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Tontura.
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Náusea.
Em casos mais raros, pode haver alteração de humor ou interferência na pressão arterial.
Também é importante considerar interações medicamentosas. Pessoas que usam:
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Antidepressivos.
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Anticoagulantes.
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Anti-hipertensivos.
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Medicamentos para diabetes.
Devem conversar com um médico antes de iniciar o suplemento.
Quem não deve usar melatonina?
Alguns grupos precisam de avaliação médica antes do uso:
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Gestantes.
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Mulheres que amamentam.
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Pessoas com doenças autoimunes.
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Pacientes em tratamento hormonal.
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Quem faz uso contínuo de medicamentos.
Mesmo sendo vendida como suplemento, a melatonina não é isenta de riscos.
Melatonina causa dependência?
A melatonina não provoca dependência química como alguns remédios para dormir.
No entanto, pode ocorrer dependência psicológica. A pessoa passa a acreditar que só consegue dormir se usar o suplemento.
Por isso, é essencial tratar também a causa da insônia, que pode estar ligada a:
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Ansiedade.
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Estresse.
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Uso excessivo de telas.
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Má higiene do sono.
A melatonina pode ajudar, mas não resolve problemas estruturais do sono sozinha.
Quando procurar um médico?
Dificuldade para dormir por mais de duas semanas merece avaliação.
Procure ajuda se houver:
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Insônia frequente.
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Despertares noturnos constantes.
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Ronco intenso.
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Sonolência excessiva durante o dia.
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Cansaço persistente mesmo após dormir.
Distúrbios do sono podem estar associados a ansiedade, depressão ou apneia do sono.
Quanto mais cedo houver investigação, melhor o tratamento.