O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Os números de 2025 são alarmantes.
Segundo dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil, o país registrou 85.857 mortes em decorrência da doença no último ano.
O AVC, popularmente chamado de derrame, ocorre quando há uma alteração súbita no fluxo sanguíneo cerebral.
Isso compromete a circulação de sangue em regiões do encéfalo, afetando o cérebro, o cerebelo ou o tronco encefálico.
Tipos de AVC: Isquêmico e hemorrágico
Existem duas formas principais da doença, com causas e gravidades distintas:
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AVC isquêmico: É o mais comum, representando cerca de 85% dos casos. Ocorre quando um coágulo ou placas de gordura obstruem a passagem do sangue. Se diagnosticado cedo, as chances de reverter sequelas são altas.
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AVC hemorrágico: Mais raro e muito mais grave. Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, geralmente devido à pressão alta. Pode levar o paciente ao coma rapidamente.
"O AVC isquêmico é o mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos, enquanto os hemorrágicos representam aproximadamente 20%", explica o Dr. Orlando Maia, neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema.
Prevenção: O poder do estilo de vida
A boa notícia é que o AVC é, em grande parte, prevenível. O controle de fatores de risco é a melhor arma. Hipertensão, obesidade, sedentarismo e tabagismo estão no topo da lista de vilões.
De acordo com o Dr. Orlando Maia, pessoas fisicamente ativas têm 33% menos risco de sofrer um AVC.
"Mais de um terço dos AVCs acontecem em indivíduos que não praticam atividade física regular. A recomendação para reduzir os riscos é realizar exercícios moderados entre 20 e 30 minutos, cinco vezes por semana", afirma o médico.
"Quem se movimenta, além de fortalecer o corpo, mantém o cérebro mais saudável. O tabagismo também é um dos principais fatores de risco", acrescenta.
O perfil do paciente também está mudando. A doença atinge cada vez mais jovens. Segundo a Organização Mundial do AVC (WSO), quase 2 milhões de pessoas entre 18 e 49 anos sofrem um AVC anualmente.
"Recentemente, as associações americanas do coração e do AVC publicaram novas diretrizes para o tratamento do acidente vascular cerebral isquêmico com condutas para o tratamento de crianças e adolescentes", reitera o especialista.
Tempo é essencial
No caso de um AVC, cada minuto conta. O atendimento rápido reduz drasticamente o risco de morte e o tamanho das sequelas.
"O atendimento deve ocorrer, idealmente, em menos de 60 minutos após o início dos sintomas, seguindo protocolos internacionais. Por isso, após o médico ou profissional de saúde perceber os sintomas do AVC, o quanto antes a pessoa chegar ao hospital melhor o resultado. Pois após o uso de medicações é possível melhorar o retorno da circulação do paciente com o uso de oxigênio e glicose", explica o Dr. Orlando Maia.
Fatores de risco e grupos de atenção
As condições socioeconômicas também pesam na balança.
"Quanto menor o investimento e o cuidado com a saúde preventiva, maior a probabilidade de desenvolver diabetes, hipertensão e dislipidemia, que são fatores de risco diretos para o AVC", destaca o neurocirurgião.
Fique atento se você apresenta:
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Idade avançada (o risco aumenta com o envelhecimento).
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Características genéticas (maior incidência em pessoas negras).
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Histórico familiar de doenças cardiovasculares.
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Uso de hormônios (mulheres apresentam risco levemente maior devido a coágulos).
Principais sinais de alerta
Aprenda a identificar os sinais e ligue para o SAMU (192) imediatamente se notar:
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Confusão mental.
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Alteração da fala ou dificuldade de compreensão.
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Alteração na visão.
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Dor de cabeça súbita e muito forte.
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Tontura ou perda de equilíbrio.
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Fraqueza ou formigamento no rosto, braço ou perna (geralmente em um só lado do corpo).
"Esses indivíduos que fazem parte do grupo de risco devem estar atentos aos sinais e realizar avaliações médicas periódicas, mantendo uma alimentação saudável e a prática regular de atividades físicas", finaliza o médico.