AVC ainda lidera mortes no Brasil; foram 85,8 mil casos só em 2025

Brasil registrou mais de 85 mil óbitos pela doença no último ano; especialistas alertam para a importância da prevenção e do socorro imediato

13 abr 2026 - 12h50

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Os números de 2025 são alarmantes.

Veja o número de casos de AVC
Veja o número de casos de AVC
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Segundo dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil, o país registrou 85.857 mortes em decorrência da doença no último ano.

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O AVC, popularmente chamado de derrame, ocorre quando há uma alteração súbita no fluxo sanguíneo cerebral.

Isso compromete a circulação de sangue em regiões do encéfalo, afetando o cérebro, o cerebelo ou o tronco encefálico. 

Tipos de AVC: Isquêmico e hemorrágico

Existem duas formas principais da doença, com causas e gravidades distintas:

  1. AVC isquêmico: É o mais comum, representando cerca de 85% dos casos. Ocorre quando um coágulo ou placas de gordura obstruem a passagem do sangue. Se diagnosticado cedo, as chances de reverter sequelas são altas.

  2. AVC hemorrágico: Mais raro e muito mais grave. Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, geralmente devido à pressão alta. Pode levar o paciente ao coma rapidamente.

"O AVC isquêmico é o mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos, enquanto os hemorrágicos representam aproximadamente 20%", explica o Dr. Orlando Maia, neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema.

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Prevenção: O poder do estilo de vida

A boa notícia é que o AVC é, em grande parte, prevenível. O controle de fatores de risco é a melhor arma. Hipertensão, obesidade, sedentarismo e tabagismo estão no topo da lista de vilões.

De acordo com o Dr. Orlando Maia, pessoas fisicamente ativas têm 33% menos risco de sofrer um AVC.

"Mais de um terço dos AVCs acontecem em indivíduos que não praticam atividade física regular. A recomendação para reduzir os riscos é realizar exercícios moderados entre 20 e 30 minutos, cinco vezes por semana", afirma o médico.

"Quem se movimenta, além de fortalecer o corpo, mantém o cérebro mais saudável. O tabagismo também é um dos principais fatores de risco", acrescenta.

O perfil do paciente também está mudando. A doença atinge cada vez mais jovens. Segundo a Organização Mundial do AVC (WSO), quase 2 milhões de pessoas entre 18 e 49 anos sofrem um AVC anualmente.

"Recentemente, as associações americanas do coração e do AVC publicaram novas diretrizes para o tratamento do acidente vascular cerebral isquêmico com condutas para o tratamento de crianças e adolescentes", reitera o especialista.

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Tempo é essencial

No caso de um AVC, cada minuto conta. O atendimento rápido reduz drasticamente o risco de morte e o tamanho das sequelas.

"O atendimento deve ocorrer, idealmente, em menos de 60 minutos após o início dos sintomas, seguindo protocolos internacionais. Por isso, após o médico ou profissional de saúde perceber os sintomas do AVC, o quanto antes a pessoa chegar ao hospital melhor o resultado. Pois após o uso de medicações é possível melhorar o retorno da circulação do paciente com o uso de oxigênio e glicose", explica o Dr. Orlando Maia.

Fatores de risco e grupos de atenção

As condições socioeconômicas também pesam na balança.

"Quanto menor o investimento e o cuidado com a saúde preventiva, maior a probabilidade de desenvolver diabetes, hipertensão e dislipidemia, que são fatores de risco diretos para o AVC", destaca o neurocirurgião.

Fique atento se você apresenta:

  • Idade avançada (o risco aumenta com o envelhecimento).

  • Características genéticas (maior incidência em pessoas negras).

  • Histórico familiar de doenças cardiovasculares.

  • Uso de hormônios (mulheres apresentam risco levemente maior devido a coágulos).

Principais sinais de alerta

Aprenda a identificar os sinais e ligue para o SAMU (192) imediatamente se notar:

  • Confusão mental.

  • Alteração da fala ou dificuldade de compreensão.

  • Alteração na visão.

  • Dor de cabeça súbita e muito forte.

  • Tontura ou perda de equilíbrio.

  • Fraqueza ou formigamento no rosto, braço ou perna (geralmente em um só lado do corpo).

"Esses indivíduos que fazem parte do grupo de risco devem estar atentos aos sinais e realizar avaliações médicas periódicas, mantendo uma alimentação saudável e a prática regular de atividades físicas", finaliza o médico.

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