A corrida para rastrear passageiros que desembarcaram do navio atingido por surto de hantavírus

Cerca de 12 países estão monitorando cidadãos ligados ao surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius, que já teve pelo menos cinco casos confirmados, segundo a OMS.

8 mai 2026 - 15h26
Pessoas usando roupas protetoras durante o desembarque de um avião
Pessoas usando roupas protetoras durante o desembarque de um avião
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Autoridades de saúde de todo o mundo procuram rastrear dezenas de pessoas que desembarcaram de um navio de cruzeiro antes da detecção de um surto de hantavírus, além de todos os que tiveram contato próximo com elas.

Foram confirmados cinco casos de infecção, incluindo três mortes, causadas pelo surto ocorrido no navio holandês MV Hondius, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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O organismo também declarou que este surto não é o início de uma pandemia, como ocorreu com a covid-19, seis anos atrás. A cepa andina do hantavírus, responsável pelo surto, é transmitida por "contato próximo e íntimo".

Mas, considerando seu período de incubação, que pode atingir até seis semanas, é possível que outros casos ainda sejam relatados, segundo a OMS.

Cerca de 150 passageiros e tripulantes de 28 países teriam entrado a bordo do navio, mas dezenas deles desembarcaram na ilha de Santa Helena, no dia 24 de abril.

Operado pela empresa Oceanwide Expeditions, o cruzeiro de luxo começou sua viagem no dia 1° de abril em Ushuaia, na Argentina, e deve chegar às ilhas Canárias no dia 10 de maio.

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O hantavírus normalmente é transmitido por roedores. As pessoas são infectadas respirando o ar contaminado com partículas de vírus provenientes da urina, fezes ou saliva dos animais.

Foram documentados casos raros de transmissão humana da cepa andina. Esta é a primeira transmissão conhecida do vírus em um navio, segundo declarou a OMS na quinta-feira (7/5).

A organização está em contato com autoridades de pelo menos 12 países, que estão monitorando seus cidadãos que voltaram para casa. Eles incluem a Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça e Turquia.

Um especialista contou à BBC que a reação ao surto tem sido "muito caótica e descoordenada", mas o risco à população em geral é pequeno.

Aqui está o que sabemos sobre os países afetados até o momento.

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Reino Unido

Três cidadãos britânicos têm suspeita de hantavírus.

Sete britânicos desembarcaram do MV Hondius em Santa Helena no dia 24 de abril, antes da confirmação do primeiro caso de hantavírus em 4 de maio. Quatro deles permaneceram na ilha.

Um paciente está na remota ilha de Tristão da Cunha, no oceano Atlântico, onde o navio fez escala em meados de abril.

Dois outros homens britânicos tiveram infecção confirmada. Um deles é o policial aposentado Martin Anstee, de 56 anos.

Ele permanece em condições estáveis na Holanda após ter sido evacuado do navio na quarta-feira (6/5). O outro britânico foi levado de avião para a África do Sul no mês passado e se encontra em terapia intensiva.

Eles não têm sintomas, mas estão em contato com as autoridades de saúde. Existe a informação de que serão enviados profissionais médicos para as ilhas, para oferecer assistência.

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Dois outros cidadãos britânicos já estão isolados em casa no Reino Unido, após sua possível exposição. Eles tomaram esta decisão voluntariamente e não apresentam sintomas.

Estados Unidos

As agências de saúde de cinco Estados americanos declararam que estão monitorando pessoas que estavam no navio.

São duas na Geórgia e no Texas, uma no Arizona e na Virgínia e um número não especificado na Califórnia, segundo a CBS News, emissora parceira da BBC nos Estados Unidos. Nenhuma destas pessoas apresenta sintomas, segundo as agências de saúde.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos classificaram o surto de hantavírus como uma emergência "nível 3", que é o mais baixo da escala.

Argentina

Antes de embarcarem no navio no dia 1° de abril, o casal holandês havia feito uma viagem de observação de pássaros pela Argentina, Chile e Uruguai. Eles visitaram locais onde há presença da espécie de rato portadora da linhagem andina do vírus, segundo a OMS.

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A fonte do surto ainda não foi confirmada, mas o governo argentino está investigando se a infecção terá começado naquele país.

Mapa mostrando a rota do navio e o histórico do surto
Foto: BBC News Brasil

Cabo Verde

O MV Hondius teve negado seu pedido de atracar no arquipélago. Ele permaneceu ancorado perto do litoral por vários dias, antes de partir rumo às ilhas Canárias, na quarta-feira (6/5).

França

O Ministério da Saúde da França declarou ter identificado oito cidadãos franceses que tiveram contato com a mulher holandesa que morreu de infecção por hantavírus, no seu voo de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul.

Um dos indivíduos teve sintomas leves e aguarda o resultado do teste, informou o Ministério francês na quinta-feira (7/5). O órgão também relatou ter oferecido medidas de isolamento e acesso a testes aos demais.

Alemanha

Uma das mulheres que morreram era uma passageira alemã. Segundo a OMS, ela inicialmente desenvolveu febre no dia 28 de abril e, por fim, apresentou sintomas de pneumonia.

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Seu corpo ainda estava no navio, segundo a última informação da operadora do cruzeiro.

Holanda

Treze pessoas a bordo do navio são holandeses: oito passageiros e cinco tripulantes.

As três mortes até aqui incluem dois cidadãos holandeses, marido e esposa. A mulher testou positivo para o hantavírus e morreu na África do Sul.

Uma mulher holandesa deu entrada em um hospital na capital da Holanda, Amsterdã, com possíveis sintomas de infecção por hantavírus, declarou o Ministério da Saúde do país na quinta-feira (7/5).

A emissora de rádio e televisão RTL noticiou que ela é comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM e esteve em contato com uma mulher que morreu de infecção por hantavírus em Joanesburgo.

Mas, na sexta-feira (8/5), uma autoridade da OMS declarou à CBS News que o seu teste para o vírus teve resultado negativo.

Gráfico mostrando a forma de contaminação de seres humanos com o hantavírus
Foto: BBC News Brasil

Filipinas

Entre a tripulação do MV Hondius, há 38 pessoas das Filipinas. No momento, não há casos registrados de hantavírus no país e as autoridades destacam que o risco permanece "extremamente baixo".

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Espanha

O MV Hondius está programado para atracar neste fim de semana em Tenerife, nas ilhas Canárias, que é território espanhol.

Ao todo, 146 pessoas de 23 países permanecem no navio rumo às Canárias. Ao chegarem, eles passarão por avaliação médica, antes de poderem seguir para casa.

As autoridades espanholas concordaram com a medida, mas o presidente das ilhas Canárias, Fernando Clavijo, apresentou oposição.

"Não posso permitir que [o navio] entre nas Canárias", declarou Clavijo à rádio espanhola Onda Cero. "Esta decisão não obedece a nenhum critério técnico, nem recebemos informações suficientes."

Caso as pessoas estejam saudáveis ao chegar a Tenerife, todos os cidadãos não espanhóis serão repatriados aos seus respectivos países.

Já os 14 passageiros espanhóis a bordo do navio serão levados à capital da Espanha, Madri, onde ficarão em quarentena em um hospital militar.

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Moradores de Tenerife declararam à BBC que estão preocupados com a chegada do navio e com um possível "problema que possa surgir na ilha".

"Não acho que seja uma boa ideia... mas as pessoas precisam de ajuda", disse um dos moradores.

Na parte continental da Espanha, um caso suspeito de hantavírus foi detectado em Alicante, no sudeste do país.

Trata-se de uma passageira que estava no mesmo voo da paciente que contraiu o vírus no navio de cruzeiro e morreu em Joanesburgo, segundo declarou na sexta-feira (8/5) o ministro da Saúde espanhol, Javier Padilla.

Suíça

Um homem suíço que desembarcou do navio de cruzeiro em Santa Helena testou positivo para a linhagem andina de hantavírus, segundo a OMS e as autoridades de saúde da Suíça.

O homem desenvolveu sintomas e passou pelo teste em Zurique, onde está recebendo cuidados, segundo informaram as autoridades suíças na quarta-feira (6/5).

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